Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 10/10/2018
No início do século XX, a população carioca revoltou-se frente às propostas sanitaristas que lhes eram impostas, entre elas estava a vacinação (forçada) contra a varíola, proposta pelo médico Oswaldo Cruz e que não era do conhecimento popular, o que gerou grande medo na população. No entanto, até os dias atuais ao analisar a questão da vacinação no Brasil é visível a existência de desafios. Sobre isso, tem-se como desafio o desfalque e desabastecimento de estoques nos postos de saúde e a constante dúvida populacional acerca da eficácia das vacinas.
É necessário destacar, antes de tudo, a dificuldade do alcance das campanhas de vacinação no Brasil. Tal dificuldade deve-se, principalmente, por tratar de um país de vasto território. A extensão dificulta uma distribuição homogênea de serviços de saúde preventiva. Tal defasagem é percebida com o desfalque e escassez dos estoques, o que prejudica a população, a qual enfrenta filas e mesmo assim não consegue ser de todo imunizada. Com isso, a parcela da população que não consegue ser vacinada fica mais suscetível ao contagio por doenças, o que faz com que doenças que poderiam ser erradicadas pelas campanhas de vacinação permaneçam resistentes.
Adicionalmente, assim como na Revolta da Vacina de 1904, ainda há descrença em relação à eficácia das vacinas, devido a boatos sobre ineficácia e até mesmo possíveis efeitos colaterais dessas. Diante desse cenário, uma parcela da população, a qual não confia na prevenção de doenças pela vacinação, se nega a ser vacinada e até mesmo deixa de levar crianças pequenas para postos de vacinação. Tal situação gera uma menor eficiência na prevenção de doenças, podendo dar abertura ao reaparecimento de mazelas ditas como erradicadas. Prova disso foi o retorno da tuberculose nos últimos anos, doença que havia sido considerada erradicada há aproximadamente 20 anos.
Dado o exposto, cabe ao Ministério da Saúde garantir a distribuição homogênica de estoques de vacina por meio da implantação de postos de vacinação temporários e itinerantes durante as campanhas de vacinação, de forma a democratizar o acesso a saúde preventiva e contemplar um maior número de pessoas, a fim de obter maior eficácia nessas campanhas. Ademais, deve haver a ampla propagação, pela mídia, de propagandas, nas redes sociais e transportes públicos - uma vez que são locais de grande visibilidade cotidiana - com o intuito de frisar e convencer sobre a importância da vacinação na prevenção e erradicação de doenças, a fim de assegurar que nas campanhas futuras não haverá negação à vacina, muito menos outra revolta.