Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 10/10/2018

Se o pintor expressionista Edward Munch, ao pintar a obra “O grito”, estivesse relatando a realidade na qual o Brasil está inserido, certamente, essa estaria refletindo a aterradora queda nas taxas de vacinação. É de fato lamentável que o desenvolvimento médico e científico seja concomitante a resistências de caráter pouco esclarecido e negligente com a saúde pública, as quais representam um entrave na garantia da imunização dos brasileiros.

É indubitável que a falha do Poder Executivo concretize-se o principal desafio para assegurar a vacinação dos cidadãos. Conforme a Constituição brasileira de 1988, compõe um objetivo fundamental da República garantir a inviolabilidade do direito à saúde. Todavia, as políticas governamentais não alcançam os fins estipulados pela Carta Magna, dado o desabastecimento de imunizações essenciais nas Unidades Básicas de Saúde e a carência de esforços da medicina preventiva na garantia da vacinação em locais estratégicos e em grupos sociais vulneráveis. Tal conjuntura, consoante a Jhon Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, uma vez que o Estado interfere ineficientemente na questão, restringindo, ao papel, os direitos sociais imprescindíveis.

Ademais, análogo à Revolta da Vacina no Rio de Janeiro do século XX, o pouco esclarecimento da população também representa um entrave na prevenção de doenças a partir da imunização passiva. Segundo Arthur Shopenhauer, o indivíduo toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo. Dentro dessa lógica, uma vez que o cidadão está imerso em um contexto limitado quanto ao entendimento acerca do mecanismo biológico da vacina, a busca pela sua prevenção e de seus filhos é reduzida e subaproveitada, já que há negligência quanto à importância e à eficácia da vacinação. Dessa forma, doenças já erradicadas retornam ao atual cenário brasileiro e ameaçam a  plenitude da saúde pública.

Portanto, a fim de diluir os entraves que fazem da vacinação dos brasileiros um desafio no Brasil, é necessário seguir os ensinamentos de José Saramago: “se poder olhar, vê; se podes ver, repara”. Para isso, as responsabilidades devem ser partilhadas entre Poder Público e mídia. Esta, em parceria com o Ministério da Saúde, deve promover campanhas que esclareçam da importância da vacinação e seu eficaz mecanismo no organismo, a fim de despertar a consciência social e diluir a ignorância acerca do assunto. Além disso, cabe às Secretarias de Saúde municipais priorizarem a saúde preventiva. Para isso, deve-se garantir a totalidade das vacinas condizente com a demanda de cada UBS e intensificar visitas mensais domiciliares de médicos da família em bairros vulneráveis, a fim de esclarecer sobre a imunização e expandi-lá. Assim, usando os gritos em uníssono, será possível reverter o problema.