Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 10/10/2018

O lema da bandeira brasileira, baseado em ideais positivistas, é respaldado diante de um pressuposto: ordem e progresso. Entretanto, essa realidade não é posta em aplicação, haja vista o rompimento das engrenagens politico-sociais com a organização da população e, consequentemente, com o avanço. Nesse sentido, embora essencial, as vacinas não tem sido valorizadas, e deixadas em segundo plano. Isso porque, além de uma inoperância estatal, também há o crédito em notícias falsas.

A Carta Magna -maior hierarquia jurisdicional do país- garante o direito à vida, à saúde e à informação. Todavia, a prática deturpa a teoria, uma vez que o Estado, sobretudo o pode executivo, não investe na disseminação de conhecimentos que deveriam ser universais. Com esse cenário omisso e antidemocrático, há uma grande parcela da população em desconhecimento da verdadeira função dos anticorpos atenuados na formação de células de memória e, por conseguinte, na imunização da sociedade. Isso ocorreu, por exemplo, na Revolta da Vacina, no século XX, quando as pessoas, desprovidas de informação do governo vigente, reagiram violentamente ao movimento de proteção da varíola. Em decorrência dessa fragilidade administrativa e atuativa -distorcida dos princípios do emblema nacional- há um gradativo aumento de doenças antes consideradas erradicadas.

Somado a isso, é digna a menção de que os indivíduos, se tornam vulneráveis e propensos a desacreditar da verdadeira função das vacinas: proteger a comunidade. Logo, percebe-se o gradativo crescimento dos movimentos anti-vacinas, os quais negam a função dessa e, muitas vezes, utilizam das ‘‘fakes news’’ para a manipulação dos pouco conhecimento das pessoas, já rompidas com o Estado Democrático de Direito. Desse modo, é fácil elucidar o conceito de ‘‘Moral do Rebanho’’, teorizado pelo filósofo Friedrich Nietzsche, quando afirmou que a sociedade, por ausência de razão crítica, tende a seguir e reproduzir pensamentos de grupos dominantes. Assim, o que esperar das futuras gerações é uma massa alheia, de tal forma a aumentar os desafios na imunização dos brasileiros.

Destarde, é inegável que as vacinas não tem surtido os efeitos esperados dentro da comunidade. Portanto, para coibir isso, o Poder Executivo deve efetivamente funcionar e promover uma sorte aplicação do princípio legislativo, mediante maiores investimentos financeiros -os quais serão revertidos em campanhas educativas sobre a importância da imunização ativa, a fim de consolidar o texto constitucional. Paralelamente, a Mídia Televisiva deve criar propagandas universais, sob respaldo estatal, por meio de diversos discursos verídicos acerca da vacina. Espera-se, com isso, desconstruir os pensamentos errôneos existentes e impedir o reaparecimento das doenças. Dessa maneira, a curto prazo, poder-se-á admitir o progresso sem desconsiderar a ordem.