Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 15/10/2018

No século XVIII, Edward Jenner fez uma experiência comprovando que, ao inocular uma secreção de alguém doente em outra pessoa saudável, esta desenvolvia sintomas mais brandos da doença, denominando-se vacina. Entretanto, apesar de todos os avanços medicinais e sociais uma parcela da sociedade brasileira está recusando-se a tomar vacina, fator que pode provocar consequências na nação. Logo, a fim de compreender o problema e alcançar melhorias, é válido analisar o papel das ‘‘fakes news’’ e o movimento ‘‘antivacina’’ como fatores que influenciam nesse cenário.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que as ‘‘fake news’’ são um entrave para a construção de uma sociedade mais saudável. Isso ocorre, visto que as mensagens sem fundamentos científicos, que desestimulam a vacinação na população, são disseminadas cotidianamente nos meios sociais, como a inverdade de que a vacina contra a febre amarela causa autismo. Para ilustrar, segundo o Ministério da Saúde, de 9 vacinas prioritárias do calendário infantil nenhuma atingiu a meta de 95% de imunização em 2017. Consequentemente, as notícias ilegítimas divulgadas podem provocar o ressurgimento de doenças antes erradicadas, como a poliomelite e a rubéola. Desse modo, nota-se que a frase de Albert Einsten, ‘‘O importante é sempre questionar’’, não condiz com o atual cenário do Brasil, haja vista que informações erradas são repassadas sem o questionamento prévio.

Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a aplicação da vacina evita, todos os anos, 6 milhões de mortes. Entretanto, o movimento ‘‘antivacina’’ coloca em risco toda a população brasileira, uma vez que a escolha individual de não se vacinar, cria um grupo suscetível às doenças e circulação dos agentes infecciosos na sociedade. A prova disso é a confirmação de 300 casos de sarampo em Roraima, segundo o SUS. Dessa forma, a vacinação não pode ser tomada como uma escolha individual e sim, uma responsabilidade coletiva para a saúde do corpo social. Assim, percebe-se uma incoerência com a frase de Aristóteles, ‘‘A base da sociedade é a justiça’’, dado que diversos cidadãos são contaminados em consequência da negligência de outros.

Nesse aspecto, ao Ministério da Saúde cabe realizar campanhas sociais e palestras públicas com profissionais da área da saúde, a respeito da acessibilidade das vacinas, da importância da vacinação , das implicações de não se vacinar e desmitificar os medos da população, com propósito de conscientizar o corpo social e viabilizar um aumento de imunização no país. Por fim, O Ministério Público, deve aumentar o monitoramento das informações irreais divulgadas online, por meio de investigações recorrentes, além de aumentar a eficácia e efetividade das penas punitivas, com objetivo de reduzir,sua ocorrência.Dessa maneira,a descoberta de Edward construirá uma nação mais saudável.