Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 14/10/2018

No século XX, eclodiu no Rio de Janeiro a Revolta da Vacina, após ser determinada como obrigatória pelo presidente Rodrigues Alves a imunização da população contra doenças como a febre amarela e a malária, em um momento de ampla insalubridade sanitária na então capital da Nação. Passado mais de um século, parte da sociedade brasileira ainda desconfia da eficácia preventiva das vacinas e se nega a participar do procedimento imunológico, o que exige uma atuação mais contundente nos âmbitos político e social em prol de mitigar essa realidade latente no contexto social brasileiro.

De fato, não se pode negar que o Estado já atua na tentativa de estimular a vacinação no País. A título de ilustração desse empenho político e jurídico, destacam-se o Programa Nacional de Imunizações e o Estatuto da Criança e do Adolescente, o qual estabelece punições para país ou responsáveis que não conduzirem crianças para a vacinação. Todavia, mostra-se explícita a insuficiência do poder de convencimento de informes educativos governamentais para a população, os quais não tem sido capazes de sensibilizar a comunidade acerca da importância desse processo e de alertar a todos os riscos da não imunização, fato que vem comprometendo a saúde pública no País.

Ademais, é cada vez maior o número de famílias que, por explícita deficiência do senso crítico, cedem aos apelos sensacionalistas de fontes científicas não confiáveis para informar-se dos métodos imunológicos e que aderem a movimentos antivacinas, os quais se utilizam de redes sociais, como WhatsApp e Facebook, para propagar inverdades sobre o processo vacinatório, a exemplo de um estudo britânico de 1998, posteriormente desmoralizado, que associava vacinas infantis ao desenvolvimento de autismo. Nesse contexto de ignorância informativa, tal adesão acrítica a esses mitos de “correntes” virtuais permite que o Brasil esteja, em plena era da informação, voltando a conviver com patologias que já eram consideradas erradicadas no País, como poliomelite, difteria, rubéola e até sarampo.

Portanto, urge que o Governo Federal massifique informes educativos sobre a importância da vacinação, por meio do redirecionamento de recursos para campanhas nas redes sociais – como Instagram, WhatsApp ou Facebook-, realizadas pelo Ministério da Saúde, que contenham vídeos didáticos os quais explicitem o real funcionamento do processo de imunização e descontruam mitos acerca de supostos malefícios provenientes das vacinas. Cabe, ainda, a cidadãos já informados sobre a necessidade de vacinação, bem como a instituições escolares e até a setores socialmente engajados da imprensa intensificar, respectivamente, diálogos esclarecedores, peças teatrais ou documentários, por exemplo, no fito de sensibilizar indivíduos relutantes contra o processo imunológico vacinal no Brasil