Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 16/10/2018

Andrew Wakefild, médico britânico, escreveu um livro em que defendia a tese de que a vacina era a principal causadora do autismo nas crianças. Essa teoria se perpetuou pelo mundo e, desde então, o descrédito em relação às vacinas ainda se mantem, uma vez que hoje, com o advento da internet e das redes sociais, as falácias sobre vacinação são mais facilmente divulgadas. Sendo assim, é necessário debater o assunto e avaliar as consequências (como a volta de doenças erradicadas) que essa problemática pode causar na sociedade.

Em uma primeira análise, é válido citar que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um país deve ter 82% de sua população vacinada para que não se corra o risco de a doença se expandir. Porém, hoje o Brasil apresenta apena 62% da população protegida. Isso acontece porque, atualmente, o advento e expansão das fake news colaboram com a ideia de que as vacinas não são benéficas ao ser humano e por acreditarem nesses boatos as pessoas não levam seus filhos para serem imunizados, acarretando na volta de doenças erradicadas como a varíola e o sarampo. Tal fato entra em contradição com a política de saúde pública brasileira, que é a única no mundo, há oferecer vacinação gratuita do nascimento até a vida adulta e defender a medida preventiva das doenças.

Ademais, os grupos antivacinas, também na internet, ganham cada vez mais visualizações e seguidores. Esses grupos quando negam as descobertas científicas colaboram com a teoria do negacionismo social. O impacto desse negacionismo é desastroso, uma vez que com a não prevenção e proliferação de doenças há uma sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS) podendo levar a um aumento da espera para atendimento e casos e falecimento. Em defesa dessa assertiva, cabe citar o documentário “Vaccine Route” que debate sobre o assunto e apresenta dados sobre as consequências negativas que a não vacinação gera na sociedade, além de entrevistar especialistas no assunto a fim de sanar as dúvidas relacionadas às vacinas.

Diante do exposto, cabe ás instituições de ensino com proatividade o papel de deliberar acerca desse assunto com palestras elucidativas e depoimentos de pessoas envolvidas com o tema para que a sociedade civil não seja complacente com a cultura antivacinação. Além disso, cabe colocar no ato da matrícula das escolas a obrigatoriedade da apresentação do cartão de vacinas completo para garantir a prevenção. E, quando a criança não apresentar o cartão completo, cabe às escolas estipular um prazo para que a família do aluno regularize-o e, caso não o faça, deve acionar o Conselho Tutelar para que investigue os motivos da não vacinação, visando levar informação e incentivar à imunização.