Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 16/10/2018
No início do século XX, no Rio de Janeiro, a “Revolta da Vacina” tomava as ruas da cidade. Composta, principalmente, pela camada marginalizada da população carioca, tinha como objetivo combater a estranha ação do governo e dos militares para a vacinação obrigatória, o que, até então, era incomum na cidade. Porém, mais de cem anos depois, expandido para nível nacional, o programa de vacinação ainda apresenta problemas conjunturais, como o crescente descaso público com os investimentos em saúde e a popularização de pensamentos contra a vacinação, assim como no passado.
Em primeiro plano, é necessário analisar a relação entre direitos e deveres do cidadão e do Estado acerca da saúde individual e coletiva. Por mais que seja obrigação do Estado proporcionar a vacinação de forma gratuita, é um direito do cidadão receber tal proteção, porém, torna-se notório que a legislação falha outra vez; a falta de investimentos no setor, assim como na ciência, por parte do Estado, promove uma deficiência no sistema de saúde brasileiro, a qual pode se verificar, principalmente, em casos de epidemia, nos quais há falta de vacinas e medicamentos, como o ocorrido em 2017, quando uma epidemia de febre amarela ameaçou tomar conta dos principais centros urbanos do Brasil, obrigando milhares de pessoas a recorrerem à vacinação particular ou à migração para áreas com menores riscos.
Além disso, outro problema que a saúde brasileira enfrenta é a crescente corrente de pensamento, que ,assim como na época da “Revolta da Vacina”, possui certo medo da vacinação, por acreditar, na maioria das vezes, que a aplicação da substância biológica poderia acarretar em riscos maiores à saúde do indivíduo ou funcionaria, até mesmo, como instrumento para controle biológico do Estado, contudo, por mais que parte da população possua esse tipo de filosofia, tal ação desfavorece e prejudica a saúde coletiva nacional, já que cria um grande número de possíveis infectados e coloca em risco a vida de pessoas afetadas pelos verdadeiros riscos patológicos.
Dessa forma, para resolver o problema, é necessário que haja uma introdução do estudo relacionado à promoção de saúde básica nas escolas de nível fundamental, por meio de uma lei governamental que prepare professores para discutir sobre o tema em sala de aula, além de incentivar o discurso nos meios acadêmicos. Além disso, é preciso combater pensamentos que coloquem em risco a saúde coletiva, como a adoção de uma assistência social preparada para agir e conversar com o indivíduo sobre a importância da vacinação, para que, conjunta a uma nova política de investimentos do Estado, a conjuntura da saúde brasileira possa mudar e se aprimorar, em vez de se espelhar no passado.