Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 18/10/2018
O impacto da vacinação, no Brasil, tem sido um tema preocupante. A redução da imunização entre as diversas faixa etárias da população, postos que não conseguem suprir a demanda, e a falsa ideia de que as vacinas não são mais necessárias são exemplos que ilustram esse regresso contínuo. De acordo com os dados do Ministério da Saúde, a aplicação de todas as vacinas do calendário adulto estão abaixo da meta, assim como os índices infantis que também decaíram. Assim, torna-se necessária a adoção de novas medidas que atenuem a questão.
Durante o século XIX, a campanha de vacinação obrigatória contra a varíola comandada pelo sanitarista Oswaldo Cruz, aliada à falta de divulgação a respeito do que era a vacina e os seus efeitos benéficos, implicou no descontentamento popular conhecido como revolta da vacina. Atualmente, o problema é outro: o controle e estabilidade de doenças que antes eram epidêmicas, causou uma percepção enganosa no povo de que não é mais preciso vacinar pois as doenças desapareceram. Assim, a carência de entendimento sobre a vacina e da sua eficácia como um método preventivo, advinda do período de 1900, faz com que muitos pais recusem levar os seus filhos para receberem a dose, o que pode originar um grupo de pessoas suscetíveis à doenças antes erradicadas.
Além disso, outro fator que impulsiona o problema é a falta de vacinas nos postos de saúde em regiões mais precárias. A escassez de recursos nos municípios diminuiu os horários disponíveis para a vacinação e reduziu o número de salas para o serviço. Segundo a BBC Brasil, em 2005, 11 dos 26 Estados brasileiros tinham cobertura vacinal acima de 90% ; já em 2015, apenas 5 Estados tiveram cobertura vacinal acima de 90%. Dessa forma, a presença de uma pessoa infectada poderia causar um surto de grandes proporções, como ocorreu em 1997 com a chegada de um bebê infectado com sarampo vindo do Japão, que causou uma epidemia e infectou mais de 50 mil pessoas no Brasil.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar o impasse. Segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Dessa maneira, o Ministério da Saúde aliado ao Ministério da Educação deve garantir maior instrução à população, através de campanhas com especialistas da saúde em escolas e empresas, para explicarem o que é a vacina, qual a sua finalidade, importância e os efeitos no indivíduo e na sociedade se não a receberem. Ademais, necessita aumentar seus investimentos em programas de imunização e efetuar a melhor distribuição das vacinas em todas as regiões do Brasil, para que a meta de 95% de imunização recomendada pela OMS possa ser cumprida. Assim, há de se melhorar a situação atual em solo nacional.