Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 19/10/2018
No início do século XX, o Brasil enfrentava a varíola de forma epidêmica, como resposta foi criada, no Rio de Janeiro, uma campanha que tornava obrigatória a vacina contra a doença, pelo sanitarista Oswald Cruz. No entanto, essa iniciativa não foi bem recebida pela população que em insurreição popular deu origem ao movimento conhecido como Revolta das Vacinas, que contou com manifestações e conflitos nas ruas da cidade. Apesar de ter se passado mais de um século do ocorrido, no cenário atual, ocorre a redução da cobertura vacinal no país a cada ano, que tem como um dos fatores causais, o mesmo que estimulou as revoltas populares de 1904: a ignorância da população a respeito das vacinas.
Visto isso, é válido ressaltar que existiu certa argumentação controvérsia para fundamentar o senso comum anti-vacina. Em 1998, o médico britânico Andrew Wakefield, publicou um artigo que relacionava a vacina tríplice, contra o sarampo, a parotidite e a rubéola, e casos de autismo. O artigo gerou muita polêmica na época, o que resultou na investigação da pesquisa de Wakefield, e não foram encontradas evidências que comprovassem a hipótese nos novos estudos, além disso o médico teve sua licença médica cassada por acusações de fraude de evidências em sua pesquisa. Esse caso ilustra o perigo que pode ocorrer com a vinculação de desinformações, pois após a publicação do artigo ocorreram surtos de sarampo no Reino Unido.
Além desse famoso caso que fomentou o movimento anti-vacina, há também outra fonte do problema a ser solucionada: a necessidade da melhoria nos serviços públicos que realizam as campanhas de vacinação. A queda na cobertura vacinal se deve também ao não abastecimento dos postos de saúde, o que ocorre principalmente em municípios com menos recursos. Fato que é exemplificado com a classificação, realizada pelo Ministério da Saúde, de estado crítico para o abastecimento das vacinas tríplice viral e tríplice bacteriana. Nessa condição, torna-se não cumprido o artigo 6 da Constituição Federal que garante o acesso à saúde a todos os cidadãos, pois a garantia do acesso às vacinas exprime a execução desse direito.
Infere-se, portanto, que são necessária medidas que ampliem e mantenham a cobertura vacinal no Brasil. Posto isso, cabe ao Ministério da Saúde aumentar o número de postos de saúde em regiões desprovidas, e além disso, garantir e fiscalizar o abastecimento de todas as vacinas obrigatórias, a fim de que o calendário vacinal seja cumprido. Ademais, cabe também a sociedade o papel conscientizador a respeito das vacinas, que, por meio de redes sociais, deve divulgar informações a fim de desconstruir o senso comum sobre algo que é benéfico para a sociedade, de forma que casos de doenças já erradicadas não voltem a ocorrer.