Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 22/10/2018

A Revolta da Vacina foi um levante popular ocorrido no Rio de Janeiro, no começo do século XX, marcado por uma campanha de vacinação na qual predominou a desinformação, haja vista que disseminou-se a ideia de que as vacinas eram veneno para intoxicar os menos favorecidos. Embora tenha ocorrido há mais de cem anos, tal momento histórico ainda reflete os percalços da imunização no Brasil. Em torno dessa problemática, deve-se analisar como as notícias falsas, além da negligência estatal, influenciam em sua potencialização.

De início, há que se apontar os boatos jornalísticos como um dos responsáveis pelos desafios da vacinação. Isso ocorre porque, segundo Jean Baudrillard, sociólogo francês, a enxurrada de conhecimento que a modernidade proporciona coage a uma miríade de indivíduos a limitar o seu saber a uma porção superficial da realidade, estando, dessa forma, vulneráveis às informações inverídicas. Aproveitando-se de tal conjuntura, em 1998, um médico britânico publicou um artigo sem qualquer base científica, associando as vacinas ao autismo, de acordo com reportagem do jornal Washington Post. Em decorrência, muitos pais se negam a imunizar sua prole, sob o subterfúgio de estarem protegendo-a de adquirir um transtorno psiquiátrico.

Atrelado às notícias falsas, a negligência estatal também é um das responsáveis pelos obstáculos à vacinação. Embora a Constituição Federal de 1988 preveja, no artigo sexto, o direito à saúde, o Estado não tem garantido a efetivação dessa legislação. Tal fato se explica pela insuficiência de doses imunitárias em boa parte das unidades de pronto atendimento, conforme foi noticiado pela Folha de São Paulo, o que limita o seu acesso àqueles que podem arcar com os custos do sistema privado. Em consequência, as camadas sociais menos favorecidas se tornam bolsões de suscetibilidade a doenças já superadas, tal como o sarampo, poliomielite e febra amarela, mas que encontram sobrevida na atual crise da vacinação.

Percebe-se, portanto, que a imunização tem raízes sociais e políticas como obstáculos. Assim, cabe à escola, enquanto instituição de grande poder transformador, promover a realização de oficinas educativas mediante palestras e cartilhas informativas feitas por profissionais da Fundação Oswaldo Cruz, que elucidem aos pais e alunos quanto às benesses da vacina, bem como desmintam eventuais boatos vinculados a ela. Outrossim, urge ao Poder Público, por intermédio do redirecionamento de verbas, abastecer os postos de saúde com vacinas. Objetiva-se, com essa ação, superar os descuidos quanto à vacinação, salvaguardando a saúde pública brasileira.