Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 23/10/2018
A Revolta da Vacina foi uma insurreição popular ocorrida no Rio de Janeiro no início do século XX. Ela aconteceu como forma de reação à campanha de vacinação obrigatória contra a varíola - posta em prática pelo sanitarista Oswaldo Cruz. Nesse sentido, por mais que conflitos como esse não tenham voltado a ocorrer no Brasil, a vacinação dos brasileiros de forma integral ainda é um desafio, e esse quadro é reflexo de uma população pouco informada e negligente, que já está começando a lidar com as consequências desse descuido, e, ainda, é resultado da disseminação de notícias falsas.
Em primeiro âmbito, de acordo com dados do PNI (Programa Nacional de Imunização), de nove vacinas prioritárias do calendário infantil, nenhuma atingiu a meta de 95% de imunização no ano passado, a maior parte delas ficou, em média, na casa dos 70%. Isso se deve, sobretudo, ao alastramento de “fake news”, principalmente através das redes sociais, que afirmam que as vacinas não são testadas, possuem compostos que provocam outras doenças, podem ser letais, entre outros boatos, que contribuem com a diminuição da taxa de vacinados e o possível retorno de doenças já erradicadas - como o sarampo e a poliomelite.
Em segunda análise, apesar dos investimentos em campanhas de vacinação terem crescido, de mais ou menos 700 milhões para 4,5 bilhões, segundo o Ministério da Saúde, uma grande parcela da população não tem noção da importância da vacinação para prevenir inúmeras doenças, as épocas mais importantes para se buscar essa forma de prevenção e como ter acesso a ela. Dessa forma, doenças consideradas erradicadas são negligenciadas, e estados como Roraima e Maranhão já estão sofrendo com os resultados desse imprecaução, visto que notificaram quase mil casos de pessoas em condição de sarampo, de acordo com o Ministério da Saúde - patologia considerada superada desde 2016.
Fica evidente, portanto, que, para se evitar que doenças letais e já superadas retornem, são necessárias medidas urgentes. Desse modo, o Ministério da Saúde deve promover mais campanhas de vacinação, que orientem sobre a importância da imunização, desmitifiquem os processos e combatam as fake news, sobretudo por meio das redes socais - para se alcançar a maior quantidade possível de jovens -, propagandas televisivas em horários de pico, e cartilhas, a fim de garantir que as metas de vacinação dos brasileiros voltem a ser alcançadas. Ademais, esse mesmo setor governamental, em conjunto como o Ministério da Educação, deve promover debates e palestras nas escolas, ministradas por profissionais da saúde, que também influenciem o precaução e explicitem os avanços já alcançados por meio das vacinas.