Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 24/10/2018

No começo do século XX, inserida em uma série de ações de reforma sanitária, a lei da imunização obrigatória, ao objetivar vacinar, usando a força, a população, foi a causa da revolta que questionou tal imposição. Atualmente, embora já consolidada sua importância para a saúde dos indivíduos, a vacinação ainda encontra barreiras no que tange ao seu alcance, visto que nota-se a disseminação de boatos acerca dos efeitos pós-vacina, o que interfere em todo âmbito coletivo. Faz-se necessário, assim, analisar tais pontos.

Em um primeiro momento, é válido ressaltar que a desinformação causa um efeito em cadeia. Ou seja, os movimentos anti-vacina, composto por pessoas que desacreditam da eficácia desses meios, sustentam-se na disseminação de notícias falsas e teorias conspiratórias que tendem a minimizar a efetividade dessa imunização. Por sua vez, a população, por não ter tido contato com as doenças que já foram erradicadas, são influenciadas por esses grupos e transformam o medo da patologia pelo receio nos efeitos colaterais desse processo. Um grande exemplo é o caso de uma equipe britânica que associou, erroneamente, na década de 90,a tríplice viral com o autismo, sendo descoberto, posteriormente, que tal estudo era patrocinado por indústrias alternativas.

Ademais, observa-se que tal negligência afeta toda a sociedade. A poliomielite, causadora da paralisia infantil, foi erradicada em 1989, depois de apresentar 1200 casos ao ano antes do começo da campanha. Atualmente, 312 municípios brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde, não atingem a meta de vacinação, o que corrobora para potenciais surtos de doenças já vencidas. Não obstante, tal contexto, além de prejudicar pessoas com imunodeficiência, que dependem da proteção coletiva, é maléfico às comunidades que vivem próximas às fronteiras, em que há uma grande circulação de imigrantes e, consequentemente, de vírus, deixando essas pessoas desprotegidas, podendo gerar novos casos de epidemia que pode avançar para todo o território nacional.

Fica claro, portanto que, a fim de alcançar mais pessoas, tais impasses precisam de soluções assertivas. Para isso, o Ministério da Saúde pode inserir propagandas de conscientização nos meios de comunicação, abordando de forma a impactar o espectador, demonstrando casos de doenças e seus sintomas, objetivando a criação de uma consciência mais consistente. O Ministério das Comunicações, em conjunto com o da saúde, deve criar um site de esclarecimentos acerca dos efeitos das vacinas.