Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 26/10/2018
Em 1904, no Rio de Janeiro eclodiu a Revolta da Vacina devido a promoção de medidas sanitaristas contra a varíola, no qual a população não ciente dos efeitos do medicamento recusou-se a tomar. Hoje, mais de 100 anos depois, embora seja um direito fundamental, ainda há desafios para a garantia efetiva da vacinação dos brasileiros, o que simboliza um retrocesso histórico. Nesse contexto, faz-se pertinente considerar a negligência estatal e os estigmas sociais no que tange ao impasse.
Mormente, é válido salientar sobre o ineficiente investimento do Estado na saúde pública brasileira. Isso ocorre devido a intensa crise financeira enfrentada pelo país em que o setor não se torna prioridade, prova disso é a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241 que congelou os gastos na área por 20 anos. A partir disso, falta recursos aos municípios para a disponibilização de vacinas, consequentemente, com os cidadãos desprotegidos, doenças que já foram erradicadas como a poliomelite e o sarampo voltam a aparecer. Em suma, é inadmissível a ocorrência desse empecilho, haja vista o comprometimento dos preceitos da qualidade de vida e dignidade humana presentes na Carta Magna de 1988.
Outro aspecto relevante diz respeito a postura dos cidadãos frente a adversidade. Sob tal ótica, apesar do acesso ao conhecimento na contemporaneidade ser facilitado pelas tecnologias, ainda predominam crenças em informações equivocadas. Por exemplo, no século XX, o médico britânico Andrew Makefild - movido por interesses econômicos - publicou um estudo que associava a vacina tríplice viral ao autismo, desse modo, muitos pais temerosos deixaram de imunizar seus filhos mesmo que tenha sido comprovado a fraude - como várias supostas pesquisas divulgadas atualmente. Tal situação é alarmante e contraria a ideia do sociólogo Émile Durkheim ao propiciar a formação de uma fraca consciência coletiva à medida que a escolha não afeta somente a essas crianças, mas o tecido social brasileiro em sua totalidade.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de reverter os entraves que prejudicam a cidadania no Brasil. Para isso, cabe a Secretaria do Tesouro Nacional, de forma prioritária, destinar mais verbas a saúde por meio do Ministério da Saúde que, por sua vez, deverá repassar aos municípios a fim de que seja investida em vacinas e um maior número de pessoas consigam ser imunizadas. Além disso, ONGs como a “Saúde Criança” devem desmistificar notícias falsas sobre a vacinação mediante propagandas nas mídias de grande impacto - televisivas, redes sociais e rádios - que contem com a participação de médicos debatendo o assunto de forma clara no intuito de haver esclarecimento e ninguém sinta receio do medicamento. Espera-se que, assim, a questão restrinja-se a Revolta da Vacina.