Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 26/10/2018
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura insuficiência do Estado Brasileiro frente a saúde publica é uma das faces mais perversas de um país em desenvolvimento que mira o bem-estar de sua sociedade. Com isso, surge a problemática da conscientização da importância da imunização que persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pelo baixo grau de educação no ambiente familiar, seja pela lenta mudança de mentalidade social.
Cabe ressaltar, que o ser humano é um ser social, o que traz a tona a questão da exclusão como um problema considerável. Nesse âmbito, um exemplo notório reside no ambiente familiar, no qual, em muitas famílias, com pais de baixa formação educacional é um dos fatores pra precária vacinação de seus filhos, inquestionavelmente tornando as crianças suscetíveis a doenças antigas e letais podendo ocasionar em última instância a morte, levando a tona o questionamento da saúde mental desses pais. Conforme o pensador indiano Oshe, o medo da exclusão social é a principal causa para um indivíduo deixar de lado a sua própria identidade, o que pode gerar consequenciais como a depressão e o suicídio
Outro fator, importante reside no fato de que as pessoas estão vivendo tempos de “modernidade líquida”, conceito proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman, o qual evidencia o imediatismo das relações sociais. Atualmente, pode-se notar que o fluxo de informações ocorre em grande velocidade, fenômeno que muitas vezes dificulta uma maior reflexão acerca dos dados recebidos, acostumando o ser a apenas utilizar o conhecimento prévio. O Responsável pela criança, então, quando apresentado a efeitos colaterais da vacina, tem dificuldade em associase como algo possitivo, uma vez que, sua formação pessoal baseou-se somente em uma esfera de vivência, o que pode comprometer o convívio social, processo de vacinação e a saúde do indivíduo ao longo prazo, de forma que, o Ministério da Saúde aumentou em 60% o valor do recurso de campanhas publicitárias de vacinação,entre o triênio de 2015-2017, segundo a matéria do site “Estadão”.
Diante disso, urge que o Poder Público intensifique campanhas de conscientização social, por meio de mídias de grande alcance. É imperativo, também, que o Ministério da Justiça amplie punições contra crimes de irresponsabilidade , juntamente com o incentivo à criação de ONGs com o intuito de denuncia tal problema. Em consonância, cabe ao Ministério da Educação com estimular as escolas a desenvolverem palestras,projetos e atividades lúdicas, que retratem a importância da imunização .