Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 27/10/2018

No ano de 1904, no Rio de Janeiro, ocorreu uma mobilização popular em combate à obrigatoriedade da vacinação contra a varíola. A Revolta da Vacina, como ficou conhecida posteriormente, retrata problemáticas que ainda são constantes no Brasil, como a necessidade de ampla conscientização e engajamento da sociedade, além da permanente displicência governamental acerca do aparato de saúde. Assim, configura-se um conturbado cenário permeado por epidemias e surtos de diversas patologias, que atinge todos os setores da sociedade e configura-se como um fator que enfraquece e debilita a saúde pública do país.

Mormente, é indubitável a relevância do envolvimento e compromisso da sociedade civil no combate à doenças e incentivo à imunização. Nessa conjuntura, os estudos do médico Andrew Wakefield, publicados em 1998 e a posteriori comprovados falaciosos, abalaram profusamente a confiança dos indivíduos na imunização ativa, ao relacionar a vacina contra sarampo com casos isolados de autismo. Contudo, mesmo após esclarecimentos e pesquisas que comprovam a eficácia e segurança do processo, a suspeita da população culmina nas drásticas reduções das coberturas vacinais. Tal fato preocupa autoridades e profissionais da saúde, ao passo que facilita o reaparecimento de doenças tidas como erradicadas, à exemplo da rubéola e da poliomielite.

Concomitantemente à essa conjuntura social, a conduta das autoridades no que tange à campanhas de imunização também é responsável por aprofundar esse cenário. Fatores como os curtos prazos das campanhas de vacinação e insuficiência de anúncios publicitários e panfletos explicativos ilustram a inoperância estatal. Assim, como consequência da exiguidade governamental, apenas um estado brasileiro atingiu as metas de vacinação contra o sarampo em 2018. Nesse sentido, o direito dos indivíduos à saúde, como delineado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, vê-se abalado.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas a respeito da vacinação e prevenção de doenças no Brasil. Compete à mídia, utilizando-se de meios de comunicação em larga escala, desmistificar preceitos errôneos e informações distorcidas acerca das vacinas para a população, para que se incentive a consciência coletiva. Ademais, cabe às Secretarias de Saúde ampliar os períodos de vacinação e estimular