Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 26/10/2018

O documentário “A vacina que mudou o mundo’ retrata a terrível situação vivenciada por milhares de crianças na década de 1950, vitimadas pela poliomielite.Apesar das sequelas físicas irreversíveis para esses indivíduos, o esforço conjunto de um seleto grupo de cientistas, patrocinados pela sociedade civil, possibilitou que muitas vidas fossem salvas e que outras crianças não sofressem as consequências da pólio.No atual cenário brasileiro, no entanto, despreza-se o empenho científico dessa época, já que a cobertura vacinal da população se encontra comprometida seja pela disseminação de notícias falsas ou pela negligência estatal.

Convém ressaltar, a princípio, que o amplo uso das mídias sociais para propagar informações inverídicas tem desestimulado a vacinação.Segundo o pensamento filosófico de Stuart Mill é impossível que haja transformações positivas no destino da humanidade se não houver uma mudança de peso no seu modo de pensar. Entretanto, nem toda renovação no campo das ideias pode gerar consequências produtivas, tendo em vista a conexão entre a disseminação de notícias falsas, mitos e teorias da conspiração sobre vacinas e o ressurgimento do sarampo somado a possibilidade de retorno de outras doenças antes erradicadas, como a poliomielite.

Ademais, a negligência estatal é fator determinante nesta situação problemática.De acordo com levantamentos do jornal “O Globo”, o orçamento do Governo Federal para prevenção de doenças reduziu 33%, ao passo que, segundo o DataSUS, a cobertura vacinal que antes era de 95% reduziu para 80%.Tais dados são indicações de que conforme diminui-se o investimento em campanhas pró-vacinação, associado a militância anti-vacinas na internet, menores são as buscas pela imunização e, consequentemente, a população torna-se vulnerável a doenças que já haviam sido combatidas.

Evidencia-se, portanto, que a preocupante queda nas taxas de vacinação dos brasileiros ocorre, principalmente, devido a notícias falsas e a redução de investimentos governamentais.Desse modo, é imprescindível que as Secretarias de Saúde Municipais, sob orientação do Ministério da Saúde, realizem campanhas, instituindo, por exemplo, datas para a realização de vacinas e regulamentação de indivíduos com vacinações atrasadas, com o objetivo de aumentar os índices de cobertura vacinal, garantindo a promoção de saúde a população, para isso o Executivo Federal deve destinar uma verba maior para esta causa, tendo em vista o atual cenário de queda.Além disso, na esfera federal, é preciso promover campanhas pró-vacinas em mídias sociais como o Youtube e o Facebook. Logo, é possível que tais medidas esclareçam a sociedade e impeçam que cenários catastróficos como  os documentados em  " A vacina que mudou o mundo” voltem a serem realidades.