Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 31/10/2018
O estatuto da criança e do adolescente garante aos mesmos o direito a vacinação, estendendo-se a qualquer faixa etária em que as vacinas surtam efeito. Mesmo amparados pela lei, boa parte dos cidadãos brasileiros não dão a devida importância que as campanhas vacinais merecem, por outro lado, em cidades de condição precária, a população pede, mas não tem acesso a essas campanhas. Um caso a parte, mas que urge atenção, é o de pequenas vilas onde nem se quer há prestação de serviço de saúde.
No século XXI, muitas doenças praticamente sumiram, como por exemplo, a tuberculose e a hanseníase, porém, de tempos em tempos, novos surtos assolam populações inteiras, foi o caso do Ebola na África em 2016. O fato de as doenças que um dia amedrontaram todo o mundo, estarem desaparecendo, gera uma ideia popular de que foram extintas, e por isso as pessoas não buscam e não levam seus filhos às campanhas de vacinação.
Tão preocupante quanto, outro fator dificulta ainda mais o processo de imunização em larga escala, a péssima condição financeira das pequenas cidades que sofrem desamparadas pelo estado. Os órgãos de saúde pública não recebem os repasses, tanto em produtos, quanto em dinheiro, tornando impossível manter os farmacológicos em bom estado, e prestar um serviço padrão.
Há ainda, a triste vivência dos lugarejos afastados, situados nas regiões interioranas dos estados mais pobres, principalmente no sertão nordestino. Nessas áreas isoladas, não chegam as vacinas e nem se quer existem médicos, ou enfermeiros para administrá-las, e se um dia existir, a desinformação causa receio ao povo que não é acostumado com o processo vacinal. Tudo isso reflete em dados como o do Programa Nacional de Imunização/Defesa, que mostram um decréscimo na quantidade de doses de vacina aplicadas de 2006 a 2016.
Não só identificar os problemas, é necessário combatê-los. Para sanar a ideia de que as vacinas não são mais necessárias, levar informação às distantes sertanias, e ao mesmo tempo garantir que os repasses de verba e de material cheguem as pequenas cidades e vilarejos, urge que o governo federal, em parceria com o estadual, usem do ministério e das secretarias de saúde, para levar funcionários públicos capacitados até os devidos locais, e lá, explicar de forma simples, a necessidade do processo de imunização. Servidores públicos que representem os níveis governamentais devem dialogar com os prefeitos e com o próprio povo, garantindo a comunicação para facilitar a cobrança e a reivindicação pelo o que é de cada um, por direito.