Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 29/10/2018

Em 1904, no Rio de Janeiro, ocorreu a Revolta da Vacina, que foi um movimento popular contra a campanha de vacinação obrigatória, pois, os habitantes da cidade não sabiam que se tratava da imunização contra doenças da época. Embora date de séculos passados, é evidente que os obstáculos para a efetivação da vacina ainda permanecem na sociedade hodierna. Sob tal viés, no Brasil, tal problema apresenta-se como um desafio no que tange ao cumprimento de garantias do bem-estar social. Logo, é essencial pautar como o Estado e a própria sociedade interferem nesse contexto.

Em primeira análise, é necessário constatar que a negligência do Estado compromete a eficácia da imunização no País. Isso porque, apesar de a Lei da Vacina Obrigatória ter sido promulgada em 1904, a má gestão dos recursos públicos compromete a qualidade dos serviços prestados. Diante disso, conforme defendeu o sociólogo Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, algumas instituições - dentre elas o Estado – perderam sua função social e se configuram como “instituições zumbis”. Nesse âmbito, atribui-se a essa teoria as péssimas condições das organizações de saúde, haja vista que essas não possuem recursos necessários, como aquisição do porte de vacinas suficientes para atender um contingente populacional.

Em segunda análise, nota-se, ainda, que a desinformação dos setores da população também contribui para a ineficiência do bem-estar social. Nesse contexto, essa condição interfere na escolha dos pais de levarem seus filhos para se vacinar, o que afeta a camada mais vulnerável da população: as crianças, que necessitam de imunização preventiva. Sob essa conjuntura, esse descaso contribui para a desintegração social, pois, segundo o conceito de” Organismo Vivo” do sociólogo Émile Durkheim, se algo não vai bem em algum setor, todo o resto sentirá o efeito. Dessa forma, sem o engajamento de todas as camadas sociais, o país pode voltar a enfrentar doenças graves, como o sarampo, a poliomielite e a rubéola.

Dado o exposto, medidas que transformem esse cenário são cruciais. Em razão disso, o Congresso Nacional deve destinar capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será revertido em programas de melhoria do sistema público de saúde, por meio de campanhas de imunização distribuídas pelo país, principalmente nas áreas mais carentes, a fim de proporcionar saúde e conforto à população. Ademais, a Mídia, em parceria com o Ministério da Comunicação, deve desenvolver projetos de incentivo a vacinação, a partir de comerciais no meio televisivo, palestras e oficinas presenciais com a participação de profissionais da área, visando informar os cidadãos acerca dos benefícios da vacina e incentiva-los a imunizar seus filhos. Assim, poder-se-á consolidar o avanço da saúde brasileira.