Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 26/10/2018

Um dos principais contextos históricos relacionados a vacinação no Brasil, ocorreu em meados de 1910, no Rio de Janeiro, com uma manifestação popular, conhecida como Revolta da Vacina, contra a vacinação obrigatória imposta pelo até então prefeito da cidade Pereira Passos. Essa revolta se deu por motivos claros de que a população não possuía informações a respeito da importância de se vacinar e como isso iria melhorar a saúde pública. Em antagonismo a esse pensamento antigo, hoje as pessoas possuem maior conhecimento sobre esse medicamento, mas nem todos possuem acesso a ele. Isso ocorre devido a negligência dos governos e enorme extensão territorial  do país.

Em uma primeira análise, pode-se observar que a omissão dos governos estaduais, federal e municipais corroboram para que uma parcela da sociedade não receba a vacina. Isso ocorre quando não há uma colaboração mútua da União em reabastecer postos públicos das diversas regiões, principalmente as periféricas. De acordo com um dado divulgado pela Ministério da Saúde, em 2017, falta diversificação e quantidade de vacinas em aproximadamente 80% dos postos públicos situados em áreas afastadas. Este fato ilustra o descaso das autoridades em relação aos preteridos, que dependem da gratuitidade, o que implica na não imunização dessas pessoas for falta de oportunidades e, consequentemente, elevando os desafios da garantia de vacinação a todos os cidadãos.

Aliado ao fator precário de reabastecimento dos postos de aplicação, a grandiosidade territorial do país nutre caminhos para que populações extremamente isoladas recebam as vacinas. Isso acontece, por exemplo, em locais como norte da Amazônia, Acre, regiões do pantanal, Roraima, onde os locais são de difícil acesso e desfocado do centro-sul e das atenções governamentais. Apesar de conter na Declaração Universal dos Direitos Humanos, o qual o Brasil assinou, que todos, sem exceção, possuem direitos básicos de saúde e tratamentos médicos públicos, na prática, tal premissa soa como utópica para milhares de brasileiros situadas nessas regiões de precária acessibilidade. Para comprovar, de acordo com a OMS, cerca de 300 rondonianos morrem por doenças, como sarampo e rotavírus, que facilmente poderiam ser controladas pela vacinação dessa população.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de mudança no cenário político e governamental a respeito da vacinação. Para reverter esse quadro, é necessário que o Governo Federal, aliado as Forças Armadas, invista em projetos e campanhas que maximizem a vacinação em todas as regiões. Tal ação pode ser feita com acordos que utilizem os militares e seus meios de transporte para chegar em locais até então inacessíveis pelas autoridades civis e vacinarem a população, em troca de investimentos nas Forças. Isso visa alcançar o contingente desfavorecido e esquecido da saúde pública