Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 30/10/2018
Segundo alude o artigo 196 da Constituição Federal, sancionada em 1988, “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas”. Todavia, apesar dos avanços alcançados na área da saúde, doenças graves, que até pouco tempo estavam controladas, voltaram a assombrar as famílias brasileiras. A respeito disso, torna-se evidente a precarização dos serviços públicos de saúde, bem como a desinformação de setores da população. Com efeito, o poder público e a sociedade devem engendrar ações a fim de promover a saúde e o debate acerca da imunização.
Em primeira análise, destaca-se que a Segunda Revolução Científica ascendeu diversos benefícios, como a expansão da indústria farmacêutica e a difusão dos métodos de prevenção de doenças como as vacinas, que eventualmente se tornaram vítimas do seu próprio sucesso. Sendo assim, a Sociedade Brasileira de Imunizações acredita que a redução na cobertura vacinal tem relação com a sensação de baixo risco das pessoas em relação às doenças, já que muitas foram controladas. Destarte, é importante sinalizar que a falta de estrutura nos postos de saúde e hospitais compromete a eficácia da imunização em escala nacional. Sendo assim, a falta de recursos para gerir a saúde pública e a redução da percepção de risco da população comprometem a qualidade dos serviços prestados.
Outrossim, em consonância com Émile Durkheim, esse afirma que: a sociedade é como um corpo biológico, onde as partes devem interagir para garantir a coesão e a igualdade. Logo, tal como se observou na insurreição popular ocorrida no século XX, chamada “Revolta da Vacina”, que ocorreu como uma reação popular à campanha da vacinação obrigatória, a história se repete em cenários diferentes. Desse modo, a desinformação, ou até mesmo o excesso de informações não confiáveis, afeta diretamente o funcionamento eficaz da sociedade, uma vez que indivíduos optam por se abster das campanhas de imunização. Por conseguinte, a inadimplência da população reforça essa problemática uma vez que essa não preconizou seu principal meio para prevenção
Diante do que foi exposto, em consonância com a assertiva de Platão: “O importante não é viver, mas viver bem”, infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para que tal conjuntura seja resolvida. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde deve promover a melhoria da saúde púbica, por meio de investimentos direcionados às unidades básicas e às campanhas de vacinação, com o objetivo de ampliar a cobertura nacional de imunização, garantindo, assim, que todas as comunidades sejam contempladas. Além disso, as prefeituras devem criar um planejamento familiar adaptado para a vacinação voltado para as particularidades de cada família, com a ampla adesão de profissionais da área. Assim, observadas as ações conjuntas, espera-se promover uma retomada dos níveis de vacinação.