Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 29/10/2018

No limiar do século XX, no Brasil, durante a república Oligárquica, sucedeu a ascensão de um motim popular alcunhado de Revolta da Vacina - o qual ocorreu uma reação do corpo social à campanha da vacinação obrigatória, posta em prática pelo sanitarista Oswaldo Cruz, devido uma epidemia de varíola que assolava a população. Hodiernamente, a varíola foi erradicada no país em tautocronia com demasiadas doenças em virtude do avanço medicinal na cerne das vacinas. Conquanto, no mundo moderno ainda são correlatados desafios para a cobertura vacinal no Brasil. Isso se deve, pela irresponsabilidade estatal, uma vez que o Estado não é capaz de abarcar vacinas suficientes que atendam toda a sociedade, em consonância, pela insipiência humana, similar do contexto da Revolta do Rio de Janeiro. Por conseguinte, regressa em um imbróglio conspícuo

Mormente, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas da problemática que assola a humanidade. Nesse ínterim, extrai-se o escólio do filósofo ateniense Aristóteles, o qual advoga que a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que a irresponsabilidade estatal rompe essa harmonia, tendo em vista que o Estado, majoritariamente o poder Legislativo, infelizmente, ainda é tímido perante a cerne da vacinação, apresentando políticas fragilizadas e pouco eficazes no âmbito de investimentos públicos. Como elucida a pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo 7 em cada 10 postos de saúde no Brasil apresentam escassez de vacinas e laboratórios, prejudicando consideravelmente a população.

Outrossim, destaca-se a insipiência humana como impulsionadora do problema. Nesse sentido, parafraseando o filósofo criticista do século XIX, Immanuel Kant, o qual aduz que a sociedade moderna deve agir em prol da ética que alicerça o bem comum, todavia, o descaso e o desconhecimento pelos benefícios da vacina por parte da população rompe o pensamento kantiano, o despreparo alicerçado ao pouco cuidado com a saúde se faz preponderante modernamente. Conforme assevera a pesquisa realizada pelo jornal Estadão (2018) 2 em cada 6 famílias deixaram de tomar vacinas, nos últimos meses, em virtude de mensagens em redes sociais. Logo, é inadmissível que uma sociedade declarada civilizada e globalizada ainda perpétua atitudes que provocam retrocesso.

Diante desse prisma, são imprescindíveis parâmetros que visam a atenuar os desafios para a cobertura vacinal no Brasil. Destarte, urge por parte do Ministério da Saúde, em sincronia com a escola, formadora de caráter, promulgar o senso crítico na população sobre a importância da vacinação e as aberrações que podem suscitar no corpo social, caso não seja cumprida, por meio de aulas dinâmicas, debates e palestras, com professores que tenham experiência comprovada nesse cenário específico, a fim de cessar o senso comum para a conscientização social e construção de práticas futuras mais eficazes, sobretudo das novas gerações. Por fim, a associação entre o poder estatal e a conscientização social deverá atenuar práticas similares da revolta da vacina, no século XX.