Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 27/10/2018

Na obra “O Ovo da Serpente: Campinas, 1889”, o autor Jorge Alves de Lima retrata a epidemia de febre amarela, que dizimou 67% da população de Campinas graças a falta de preparo para contê-la, já que, não existia vacina para a doença. Dessa forma, o livro relaciona-se hodiernamente com a questão da vacinação dos brasileiros, mostrando que essa problemática persiste intrinsecamente ligada aos imbróglios do pretérito, em conjunto à falta de políticas públicas eficazes para combatê-los.

Em primeiro plano, ao analisar por um prisma histórico,  verifica-se que a vacinação surgiu no Brasil no início do século XX, por intermédio do médico brasileiro Osvaldo Cruz, para combater a epidemia da varíola, porém, sofreu grande rejeição da população, que não conhecia seus efeitos, o que provocou a Revolta da Vacina, movimento contra a vacinação obrigatória instituída no governo de Rodrigues Alves. Sendo assim, esses acontecimentos conectam-se à atualidade por meio dos dados apresentados pelo Programa Nacional de Imunização, em que a taxa de vacinação no ano de 2017 foi a menor desde de 2001, em virtude de movimentos antivacina, surgidos em decorrência da falta de conhecimento e da disseminação de falsas informações sobre funcionamento das vacinas e de seus efeitos colaterais.             Por conseguinte, é indubitável que as chagas contemporâneas são a escassez de políticas públicas eficazes para incentivar a vacinação, o que, aliada a falta de investimentos, a carência de recursos humanos e as péssimas condições de estruturas físicas dos hospitais, dificultam o combate às epidemias, inclusive, ajudando na volta de doenças anteriormente erradicadas no país, como o sarampo e a rubéola. Ademais, embora a saúde seja um direito constitucional, essa prerrogativa não é democratizada, visto que, grupos marginalizados socialmente, como os índios brasileiros, enfrentam dificuldades na obtenção de imunobiológicos, pois, conforme informado pelo Distrito Sanitário Espacial Indígena, 17% das tribos da região amazônica não receberam vacina no ano de 2017. Logo, é vital que se siga o ideal de Gandhi, que acreditava em ações no presente para se ter um futuro melhor, como forma de sanar esse imbróglio.

Portanto, para resolver os problemas apresentados no livro “O Ovo da Serpente: Campinas,1889” e seguir o ideal gandhiano, o Governo deve, por meio de um projeto, melhorar as condições de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com reformas estruturais, além da atração de mão de obra especializada para regiões remotas, para que, assim, haja o aumento da vacinação e o direito à saúde seja atingido por grupos marginalizados. Outrossim, é importante que o Ministério da Educação, por meio de palestras nas instituições de ensino, informe a importância da vacinação para a população, como forma de atenuar os movimentos antivacina e combater as epidemias que afligem o país.