Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 28/10/2018
Em 1789, o Iluminismo consolidou a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, garantindo pela primeira vez a dignidade humana a todos. Entretanto, as frequentes dificuldades em vacinar a população de forma efetiva, mostram que o brasileiro está distante de experimentar os ideais iluministas na prática. Com efeito, é necessário que subterfúgios sejam encontrados a fim de resolver essa inercial problemática.
Em primeiro plano, é axiomático que o egoísmo dos pais está entre as causas do problema. Segundo Zygmunt Bauman, estamos vivendo a Modernidade Líquida. Para ele, a sociedade atual é marcada pela fragilidade das relações sociais, tendo em vista que o individualismo é a principal característica da contemporaneidade. Tomando a liquidez de Bauman como base, os brasileiros estão deixando de vacinar seus filhos de forma irresponsável, sem pensar nas consequências que isso poderá causar na saúde de seus filhos, ou seja, temos uma relação individualista dos pais acerca da vacinação. Dessa forma, enquanto o individualismo - palavra citada constantemente na obra de Bauman - se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um dos mais graves problemas para a contemporaneidade: a vacinação das crianças brasileiras.
Além do egoísmo dos pais, a omissão do Estado também contribui para as dificuldades em vacinar a população. Segundo John Locke - pai do liberalismo político -, o contrato social estabelece obrigações ao governo a fim de garantir os direitos naturais da sociedade. Seguindo os pensamentos de John Locke, o poder público não investe de forma adequada na saúde brasileira, um vez que o orçamento designado não consegue suprir a demanda de vacinação no país. De acordo com dados do Programa Nacional de Imunização, em 2016, o Brasil está abaixo da meta de cobertura de vacinação. Não obstante, se o Estado continuar negligenciando a questão da vacinação no Brasil, haverá falhas no contro social de John Locke.
Impende, pois, que sociedade e instituições públicas cooperem para incentivar ações filantrópicas. Nesse sentido, cabe aos indivíduos, por meio da redes sociais , promover eventos de debates públicos, que deve contar com a participação ativa da população e educadores da saúde, com o objetivo de desconstruir o individualismo dos pais a respeito da vacinação de seus filhos. Ao Ministério da Saúde, cabe, também, por meio da Câmara dos Deputados, promover uma discussão mais ampliada em relação aos investimento designados à saúde, a fim de aumentar o índice de vacinados no Brasil. Assim, os ideais iluministas será experimentado na prática pelos cidadãos brasileiros.