Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 28/10/2018
No século XX, no Rio de Janeiro, ocorreu uma rebelião, motivada por posicionamentos contrários às políticas de saúde pública adotadas pelo governo do período, a Revolta da Vacina. A cidade convivia com condições sanitárias pechosas e com surto de enfermidades, como a peste bubônica, corroborando com a implantação de um projeto de reforma na urbe, que devido a essa manifestação popular não obteve êxito máximo. Após anos decorridos, não obstante melhorias na saúde surgiram, o Brasil vive um cenário preocupante, como decretado pela Unicef, no tocante à imunização dos cidadãos, que decresceu notoriamente. Infere-se, portanto, uma ignominiosa conjuntura provocada pela displicência não só do poder governamental, mas, mormente, da sociedade no país.
No que tange às origens dessa problemática, a ignorância é protagonista. Congeneremente a François Rabelais, ela se configura como mãe de todos os males e no quadro brasileiro hodierno é axiomática, haja vista que há a falsa noção coletiva, sem respaldo algum, de que as doenças sumiram, portanto, não é imprescindível imunizar-se. O agravante é que isso, associado às fake news disseminadas e às correntes do movimento antivacina, prejudica as ações do Ministério de Saúde para prevenir a população. Ademais o fato de as novas gerações terem vivenciado períodos nos quais não se têm surtos assolando o país, como o da varíola na década de 1970, coadjuva para a ausência de uma noção de importância suprema e de uma mobilização popular homogênea acerca da vacinação.
Em suma, sob ótica de Isaac Newton, toda ação gera reação de similar intensidade. Analogamente é incontrovertível, pois, relacionar a postura irresponsável e omissa do corpo social com os surtos ocorridos em 2018, como o de sarampo e o de febre amarela. Assim posto, é plausível constatar uma sobrecarga não só no SUS, proporcionada pelo aumento de infectados, mas também nas contas públicas, pois o gasto com o tratamento de doenças evitáveis é mais expressivo do que com a mobilização para vacinar as pessoas. Outrossim, enfermidades persistem e há um óbice notório no processo de erradicá-las.
Dessarte, urge extinguir esse entrave da saúde pública do país. Incumbe ao Ministério da Saúde, ampliar as ações de vacinação durante o ano previstas no PNI, através de uma política, sob respaldo do Governo Federal, que torne obrigatória a vacinação infantil. Com isso objetiva-se proteger os cidadãos desde cedo, evitar surtos, erradicar doenças e garantir segurança aos brasileiros diante de imbróglios evitáveis. Em suma, poder-se-á aumentar a cobertura vacinal, democratizar o acesso à saúde, como garantido constitucionalmente, e evitar que cenários como os do século XX sejam repetidos e vidas sejam perdidas irresponsavelmente.