Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 29/10/2018

A Revolta da Vacina, ocorrida no Rio de Janeiro em 1904, teve como seu estopim a imposição violenta da obrigatoriedade das vacinas. Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) igualmente prevê a obrigatoriedade vacinal. Entretanto, a desinformação acerca dos benefícios da imunização tem trazido consequências, como o reaparecimento de doenças erradicadas, tornando-se um problema de saúde pública.

Na contramão do direito à saúde das crianças e adolescentes, o movimento antivacina é um dos principais fatores. Estes surgiram em 1998, com a publicação de um artigo fraudado do médico Andrew Wakefield, que forjava uma relação entre o aumento de casos de autismo e vacinação. Mesmo datando de 20 anos atrás, tal teoria ainda recebe adeptos, que por sua vez negligenciam a saúde de seus filhos. Logo, com a falta de imunização, é notório a emersão de certas doenças, como o sarampo: em 2016, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da circulação do vírus pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), porém, no ano seguinte, registrou um surto nos estados de Roraima e Amazonas.       Outrossim, é importante destacar a sensação de segurança que se instalou na população com o desaparecimento de determinadas enfermidades. Segundo o sociólogo Émile Durkeim: “Quando os costumes são suficientes, as leis são desnecessárias. Quando os costumes são insuficientes, é impossível fazer respeitar as leis”. Sob tal ótica, com a acomodação da sociedade em acreditar que está livre de ser atingida por vírus e bactérias perigosos, há a invalidação da legislação vigente.       Destarte, evidencia-se a necessidade de quebrar barreiras sociais quanto a vacinação. Faz-se fundamental a intensificação das campanhas de vacinação, por parte do Ministério da Saúde juntamente com a mídia, através de ações televisas, jornalísticas e nas redes sociais, a fim de deixar a sociedade inteirada da importância da vacinação e os riscos trazidos pela falta desse medicamento. Ademais, simultaneamente à relevância da imunização, as campanhas também devem desmentir informações falsas, com o objetivo de desmistificar algo que só traz benefícios. Afinal, como dito pelo escritor francês Charles de Saint-Evremond: “A saúde, como a fortuna, deixa de favorecer os que abusam dela”.