Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 30/10/2018
Parafraseando Confúcio, “Se queres prever o futuro, estuda o passado”, os obstáculos para garantir a vacinação da população brasileira não são contemporâneos. Desde a Revolta da Vacina, ocorrida em 1904, no Rio de Janeiro, por conta da obrigação da vacinação da população, essa vicissitude é uma prática. De maneira análoga, mesmo após avanços tecnológicos, o quadro de iniquidade persevera. Por conta disso, a problemática reflete diretamente na população, através da escassez de políticas públicas eficientes, garantindo o abastecimento dos postos de saúde e também pela disseminação de informações equivocadas sobre a vacinação, causando o denominado movimento antivacina.
Em primeiro plano, evidencia-se que a escassez de políticas públicas eficientes para reabastecer os postos de saúde torna-se um fator determinante. Tal fator corrobora pra a disseminação de doenças, antes erradicadas ou controladas, criando assim locais mais passíveis para a proliferação desta. Vale salientar que a atuação das vacinas, utilizadas como forma de imunização ativa, ou seja, estimulando o organismo a produzir anticorpos, proteínas que atuam no sistema imunológico, protegendo contra bactérias, vírus e outros antígenos, faz-se necessária principalmente para controlar doenças fatais.
Cabe ressaltar, outrossim, que além da problemática relacionada ao reabastecimento, o movimento antivacina também se encontra entre as causas da manutenção do problema. É axiomático que a dispersão das chamadas “fake news”, notícias que não condizem com a verdade, estão relacionados ao processo de não vacina. Por conta de tais notícias, vários pais acabaram adentrando nesse movimento, sem compreender integralmente os riscos que tal atitude pode acarretar. Além do mais, os riscos não englobam somente seus filhos, mas também todas as pessoas do convívio da criança, gerando a transmissão de doenças de maneira rápida e eficaz.
Diante dos fatos aludidos, torna-se necessário realizar ações que tenham como objetivo a resolução deste impasse. Cabe ao Ministério da Saúde (MS), o dever de aumentar a produção de vacinas, conseguindo desta forma englobar uma maior parcela da população brasileira, destinando também maiores investimentos para criação de novos tipos de imunização, garantindo gradativamente a vacinação de um maior contingente populacional.
Ademais, cabe a população, juntamente à mídia, o dever de promover palestras, campanhas, projetos de vacinação e ações em jornais e revistas de circulação regional, que sejam capazes de erradicar quaisquer dúvidas decorrentes acerca dos benefícios e malefícios da vacinação, anulando assim qualquer fundamento do movimento antivacina e garantindo um direito previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).