Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 30/10/2018
A “Dança da morte” é uma pintura ilustrada nas paredes da igreja de Santa Maria, na Polônia, que retrata a peste negra, aquela “dançou” em meio a todo tipo de pessoa, desde senhores até camponeses. De maneira análoga, a sociedade contemporânea sofre com diversas doenças que coreografam em seu meio, alardeando para a importância da vacinação. Assim, seja pela abordagem ríspida e omissa do Estado nas campanhas preventivas, seja pela cultura histórica negligente da população, de fato, a garantia da vacinação tupiniquim ainda é um difícil desafio a ser superado.
A princípio, é lícito referenciar a obra “O cortiço”, do escritor naturalista Aluízio de Azevedo, pois retrata a rispidez com que o governo lidou com a imunização, obrigando a população marginalizada e desinformada a vacinar-se. Tal fato, reflete-se nos dias atuais, já que o Estado é omisso em informar e proteger a população das doenças que rondam o país, perpetuando o ciclo de desinformação e contágio. Essa afirmação é confirmada por dados do o Programa Nacional de Imunização, pois informam que os índices de coberturas vacinais caíram em 2017 e atingiram o nível mais baixo do país em dezesseis anos. Evidencia-se, dessa forma, que a abordagem insuficiente e irresponsável das autoridades sobre as vacinas influencia negativamente na aceitação dessas, por parte da população.
Em decorrência disso, a comunidade brasileira perpetuou nas gerações a cultura de negligenciar a vacinação e colocou-se à mercê de diversas doenças com medo das possíveis consequências das técnicas preventivas, aderindo ao movimento anti-vacinação e contribuindo para a disseminação. À vista desse preceito, o estudo do “Habitus”, de Pierre Bourdieu, corrobora essa tese, já que afirma a incorporação, por parte da sociedade, de uma “verdade” que é aceita sem questionamentos, incorporada na rotina individuam e propagada para os descendentes. Nessa toada, torna-se nítido o histórico viés de omissão da nação no que tange a vacinar-se, deixando-a suscetível à doenças antigas, mas fatais.
Com essas constatações, infere-se que a negligência do Estado e da população com relação à vacinação perpetua a ocorrência de doenças em terras canarinhas. Portanto, urge-se que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério das Comunicações, intensifiquem as campanhas publicitárias de vacinação, utilizando-se de linguagem simples e informacionais, para atingir todo tipo de público, a fim de desmitificar mitos sobre as vacinas, visando aumentar sua adesão. Cabe, ainda, ao Ministério da saúde, que treine os profissionais da área para explicar o funcionamento e a importância da vacinação de forma que possam sanar dúvidas e hesitações. Apenas dessa forma, poder-se-à imunizar a nação tupiniquim, interrompendo a macabra valsa contemporânea de doenças que levam à morte.