Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 30/10/2018
É indubitável, que a Constituição de 1988 no seu artigo 6º estabelece os direitos sociais e entre eles está o direito a saúde, o qual é realizado também através da prevenção de doenças por meio das vacinas. Entretanto, realizar vacinações no Brasil tornou-se um desafio que compromete não apenas os direitos constitucionais, mas também a saúde de crianças e adolescentes, pois é necessário que esse grupo seja imunizado contra doenças como sarampo e caxumba. Dessa forma, cabe analisar como a desinformação da população e a falta de recursos compromete a problemática em questão.
Em primeiro plano, a desconfiança da população em virtude da falta de desinformação a cerca da eficácia das vacinas é também fruto da insegurança nos serviços de saúde. Esse fato já ocorreu na Revolta da Vacina no século XX, na qual o sanitarista Oswaldo Cruz tentou implantar campanhas de vacinas, porém não foram bem aceitas por ser de caráter autoritário e também pela falta de divulgação, que gerou rejeição entre os cariocas. Análogo a isso, as pessoas passam a desconfiar dos efeitos benéficos das vacinas diante de informações errôneas, as quais circulam por meio das redes sociais, por exemplo. Em consequência disso, os números de imunizados, principalmente, entre o público infanto-juvenil diminuem, segundo dados do Programa Nacional de Imunização.
Outrossim, nota-se que a ausência de recursos para custear as campanhas de vacinação e investimentos para a produção de imunizadores denotam a negligência do Governo diante do problema. Já que, segundo o Ministério da Saúde, o capital investido caiu 757,4 bilhões de reais de 2010 a 2018, isso demostra que houve um desleixo comparado aos períodos de surtos epidêmicos. No entanto, doenças, as quais já foram erradicas podem gerar novos casos, pois como aduz os conceitos biológicos, os vírus podem a adquirir resistência, e assim, gerar novamente os surtos, como ocorreu, por exemplo, em 2018 com a malária e a febre amarela, as quais foram consideradas erradicadas no século passado.
Torna-se evidente, portanto, que no Brasil os desafios para garantir a vacinação englobam a desinformação da população e também a ausência de recursos. Em razão disso, o Ministério da Educação deve alertar sobre a vacinação e o cenário atual por meio de palestras e programas educacionais com alunos e familiares, convidando profissionais da saúde (médicos, enfermeiros e vacinadores) para informar e tirar dúvidas a respeito do tema nas escolas. Além disso, o Governo deve promover políticas públicas em postos de saúde e hospitais, criando centros especializados para a vacinação em cada município e também oferecendo cursos de capacitação para os agentes de saúde. Desse modo, irá se reverter esse quadro indesejável e também será garantido o direito constitucional.