Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 30/10/2018

No início do século XIX, o Brasil enfrentava a varíola de forma epidêmica, como resposta foi criada, no Rio de Janeiro, uma campanha que tornava obrigatória a vacina contra a doença, pelo sanitarista Oswald Cruz. No entanto, essa iniciativa não foi bem recebida pelo povo que em insurreição popular deu origem ao movimento conhecido como Revolta das Vacinas, com manifestações e conflitos nas ruas da cidade. Apesar de ter se passado mais de um século do ocorrido, no cenário atual, ocorre a redução da cobertura vacinal no país a cada ano, que tem, como um dos fatores causais, o mesmo que estimulou as revoltas populares de 1904, a ignorância da população a respeito das vacinas.

Visto isso, é válido ressaltar que existiu certa argumentação controvérsia para fundamentar o senso comum antivacina. Em 1998, o médico britânico, Andrew Wakefield publicou um artigo que relacionava a vacina tríplice, contra o sarampo, a parotidite e a rubéola, ao autismo. Isso gerou muita polêmica na época, o que resultou na investigação da pesquisa de Wakefield, e não foram encontradas evidências que comprovassem a hipótese de seus estudos, além disso o médico teve sua licença cassada acusado de fraudar a pesquisa divulgada. Esse caso ilustra o perigo que ocorre com a vinculação de desinformações, pois após a publicação do artigo ocorreram surtos de sarampo no Reino Unido.

Além desse famoso caso que fomentou o movimento antivacina, há também outra fonte do problema a ser solucionada: a necessidade da melhoria nos serviços públicos que realizam as campanhas de vacinação. A queda na cobertura vacinal se deve também ao não abastecimento dos postos de saúde, o que ocorre principalmente em municípios com menos recursos. Fato que é exemplificado com a classificação, realizada pelo Ministério da Saúde, de estado crítico para o abastecimento das vacinas tríplice viral e tríplice bacteriana. Nessa condição, torna-se não cumprido o artigo 6° da Constituição Federal que garante o acesso à saúde a todos os cidadãos, pois o acesso às vacinas exprime a execução desse direito.

Infere-se, portanto, que são necessárias medidas que mantenham e ampliem a cobertura vacinal no Brasil. Posto isso, cabe ao Governo Federal direcionar mais verbas para a saúde pública e anular propostas, como a PEC 241, que congelam os gastos públicos. Sendo assim, o Ministério da Saúde o responsável por encaminhar seu orçamento para o reabastecimento total de vacinas e à criação de novos postos de saúde em regiões menos abastadas. Ademais, cabe à Secretaria de Comunicação Social criar campanhas publicitárias que informe e conscientize a população a respeito da importância das vacinas, de forma que assim seja desconstruído o senso comum a respeito de algo que é benéfico à sociedade.