Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 02/11/2018
Durante a república velha, no governo de Rodrigues Alves, estoura o movimento conhecido como “A revolta da Vacina” caracterizado pela oposição da população ao ato de se vacinar. Nesse cenário, evidencia-se o medo da sociedade frente as campanhas de vacinação, acentuado pela ausência de informações efetivas. Entretanto, embora tal comportamento pareça retrógrado, a oposição à vacinas e eficiência das campanhas ainda representa um desafio para o Brasil.
Inicialmente, é necessário ressaltar que, o pouco que se debate sobre o ato de se vacinar e seus benefícios, permite a construção de mitos que velam as qualidades da vacina. Nessa perspectiva, são construídos medos irracionais acerca da vacinação, expandindo o número de pessoas que se sentem inseguras em se auto vacinar e vacinar seus filhos. O número cada vez menor de pessoas vacinadas no país durante as campanhas, segundo análises da BBC Brasil, ilustra essa problemática. Evidencia-se assim o grave efeito que a falta de informação ou exposição à informações errôneas podem propiciar pois, o número cada vez menor de vacinados pode ocasionar no ressurgimento de doenças fatais erradicadas no país.
Ademais, atrela-se a ineficaz propagação da educação acerca da saúde o mau abastecimento vacinal de alguns municípios e o ineficiente gerenciamento das verbas públicas. Nesse viés,ressalta-se um Estado omisso ou pouco presente em alguns municípios, destacando-se estados mais pobres como os da região norte e nordeste do país. Nessa conjuntura, a vacinação nesses locais torna-se difícil ou até inexistente, visto que, a estrutura dos hospitais e postos de atendimento são precárias e a falta de suprimentos básicos é recorrente, não se fazendo diferente no que tange à vacinas. Exemplo disso, foi vivenciado em Roraima que após a recepção de refugiados e imigrantes venezuelanos observou um surto de sarampo - doença erradicada no Brasil em 2011- que só foi possível devido ao alto número de pessoas não vacinadas no estado e a problemática infraestrutura de saúde presente nas fronteiras.
Diante disso, portanto, percebe-se a necessidade de medidas em prol da expansão de vacinação dos brasileiros garantida pela eficiência das campanhas. Desse modo, é preciso que o Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação, propicie aulas especiais nas escolas para pais e alunos, ministradas por agentes da saúde que tragam conteúdo explicativo sobre as vacinas e sua importância para a sociedade, a fim de que os medos criados sejam desconstruídos. Além disso, o governo estadual deve garantir uma boa gestão dos recursos destinados a saúde, pois esses permitem qualidades básicas e essenciais a vida. Somente assim,garantir-se-a que episódios como o ocorrido em 1904, no Rio de Janeiro, possa ser visto como alto atrasado e fora da conjuntura contemporânea.