Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 02/11/2018
A obra, O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, é marcada pela descrição da extrema precariedade das habitações populares existentes naquele período, na cidade do Rio de Janeiro. Ademais, a população, de baixa renda e marginalizada, além de ser vítima da desigualdade social e dos frutos que esta situação culmina, como o descaso por parte dos órgãos públicos, era considerados um estorvo às classes mais altas, visto que por serem de baixa renda, eram diretamente associados a doenças. Contudo, a realidade tratada no enredo perpetua-se até a contemporaneidade, uma vez que há desafios na vacinação da população brasileira, sendo esses, majoritariamente, em regiões periféricas pois a desigualdade social acentua-se e o descaso com as classes mais baixas intensifica-se.
Diante desse cenário, em 1904, durante o governo de Rodrigues Alves, ocorreu a Revolta da Vacina- movimento de caráter popular devido à obrigatoriedade da vacinação contra a varíola- no Rio de Janeiro. É valido mencionar que tal campanha de vacinação foi mais intensa nas regiões menos favorecidas, visto que o preconceito contribuiu para a disseminação do mito de que a baixa renda está diretamente associada a proliferação de doenças. Além disso, ao invés das vacinações terem sido realizada a fim de reduzir a contaminação e garantir o bem estar dos mais pobres, era uma forma de impedir que as elites fossem contaminadas pela mazela dos menos abastados. Décadas depois, a intolerância permanece enraizada e as dificuldades de vacinação, elevadas, porém, em uma sociedade extremamente classista, o bem estar do pobre fica à mercê do descaso.
Ademais, é necessário mencionar que a preocupação dos órgãos públicos com a vacinação reduziu nos últimos anos. Essa atitude é fruto de uma falsa sensação de estabilidade nos quadros de disseminação de epidemias ao longo dos anos. Além disso, a falta de investimentos nos sistemas de saúde pública também demonstram a falta de preocupação com o bem estar da população. Nesse âmbito, o conceito de Fato Social Patológico, defendido pelo sociólogo Emilé Durkheim afirma que é papel dos órgãos que compõem o Estado garantir o bom funcionamento da sociedade, mas, no caso em que a vacinação não é para todos, a função social do estado é comprometida e a sociedade, prejudicada.
Dessa forma, urge que medidas sejam tomadas. Coíbe ao Ministério da Saúde, com respaldo do Governo Federal, investir em campanhas de vacinação obrigatórias para toda a população. Essa medida deve ser realizada a fim de minimizar os casos de doenças e evitar o aumento da proliferação dessas. Outrossim, é necessário que as mídias circulem propagandas incentivando a vacinação. Sendo assim, o ciclo social não será comprometido.