Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 24/03/2019
No Brasil, em 1904, ocorreu um motim popular conhecido como Revolta da Vacina. Tal cenário foi possível devido à obrigatoriedade da imunização, haja vista a falta de informação sobre os benefícios dessa prática. De forma semelhante, graças a escassez de diálogo, muitos deixaram de se vacinar hodiernamente, visto que após a redução do número de casos das doenças criou-se uma falsa sensação de segurança. Nesse contexto, faz-se fundamental analisar os motivos que dificultam a vacinação efetiva dos brasileiros.
A priori, a omissão familiar torna o processo de prevenção complexo. Isso porque vários pais desistem de vacinar seus filhos depois do aumento da quantidade de vacinas essenciais, que requer inúmeras idas ao posto de saúde. Além disso, a diminuição dos casos das doenças causam a ilusão da erradicação delas, expandindo o desleixo dos pais que desconhecem o frágil sistema imune em desenvolvimento dos recém-nascidos. De acordo com o artigo 14 do Estatuto da Criança e do Adolescente, a vacinação infantil é obrigatória, no entanto não há fiscalização do cumprimento desse direito. Desse modo, a negligência familiar contribuirá para uma geração de infantos vulneráveis.
Outrossim, existem problemas sistemáticos nos pontos de vacinação. Isso, pois os horários de funcionamento dos atuais postos de saúde são reduzidos, ocasionando desencontros com o tempo livre da população, que tende a adiar a aplicação. Recém, em virtude da crise venezuelana, os canarinhos receberam alguns imigrantes infectados, o que acarretou a proliferação dos antígenos, tendo em vista a grande parcela tupiniquim desprotegida. Parafraseando um dos provérbios de Salomão, “Ninguém é responsável pelo nosso destino a não ser nós mesmos”, isto é, a proliferação das doenças atrelada a atual prática de receber imigrantes só diz respeito a precária cobertura vacinal do povo brasileiro. Como consequência, a desarmonia entre as atividades dos postos e o descaso da população amplia a ocorrência de enfermidades, como caxumba, sarampo e rubéola.
Torna-se evidente, portanto, que é alarmante a conjuntura vigente e o não cumprimento da vacinação converte a solução em utopia. Dessa forma, para amenizar os imbróglios, cabe as escolas impor a apresentação da carteira de vacinação atualizada no momento da matrícula, por meio de uma comissão do conselho tutelar treinada para fiscalizar os documentos e, em quadros de desatualização, encaminhar os infantos junto aos responsáveis ao posto de saúde mais próximo para aplicação das vacinas restantes. Ademais, o Ministério da Saúde deve disponibilizar uma maior amplitude nos horários regulares dos postos, mediante a contratação de profissionais que trabalhem em horários alternativos. Destante, o diálogo será restabelecido e quiça revoltas, como a de 1904, não se repitam.