Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 22/05/2019

O episódio da Revolta da Vacina,em 1904,narrado no diário do crítico arguto de nossa República: Lima Barreto manifesta uma crítica à repressão e violência no contexto de modernização da população do Rio de Janeiro em conjunto com a inserção da vacina da varíola.Sob esse mesmo viés,hoje,evidencia-se desafios para garantir a vacinação aos brasileiros,haja vista o ressurgimento de doenças outrora erradicadas.Nesse contexto,é preciso perceber que a desconfiança e a liberdade de escolha explicam essa problemática e precisam ser superadas.

Em primeira instância,é notório que a descrença quanto a vacinação não se encontra somente no século 19,visto que fraudes na ciência promovem esse cenário de antivacina.Assim,em 1998,o médico inglês Andrew Wakefield deu origem à controvérsia sobre a ligação das vacinas no autismo,tal fato que,reverberou internacionalmente e fez com que os índices de vacinação do sarampo caíssem.Nessa conjectura,surgem-se dificuldades para descartar esse mito na comunidade que tem acesso a informação e levanta associações entre patologias como justificativa para a não imunização,tornando esse grupo agentes transmissores para a sociedade.

Por conseguinte,o conceito de Cuidado de Si do filósofo francês Michel Foucault constitui desde o mundo greco-romano o modo pelo qual a liberdade cívica pode ser vista como uma forma de egoísmo em contradição com o interesse que é necessário ter em relação aos outros.Consequentemente,a liberdade de escolha se converte em irresponsabilidade social com o direito individual acima do coletivo,prova disso é o fato de a resistência à vacinação ser listada pela Organização Mundial da Saúde(OMS) como uma das maiores ameaças à saúde global em 2019.Contudo,é necessário não cometer o mesmo erro do passado ao forçar a prática por meio da violência.

Fica evidente,pois,a existência de gargalos da vacinação no Brasil.Nesse sentido,é fundamental a atuação do Estado,de caráter democrático,em estabelecer leis que limitem,por meio de regras governamentais,o acesso a lugares públicos para pessoas que não optarem se vacinar.Ademais,a mídia,informante do público,tem papel de realizar campanhas informativas,por intermédio de redes sociais e meios televisivos,a fim de incentivar a criticidade e cessar a baixa cobertura vacinal.Só assim, o povo conviverá com cuidados plurilaterais e tal entrave permanecerá no século 19.