Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 09/08/2019
A varíola e a poliomielite são doenças graves que mataram ou incapacitaram pessoas durante séculos e ficaram no passado graças ao desenvolvimento das vacinas, que surgiram ao final do século XVIII. Todavia, apesar dos avanços alcançados na área da saúde, essas e outras patologias infectocontagiosas voltaram a assombrar as famílias brasileiras. Nesse sentido, uma série de fatores, dos quais se destacam a crise econômica instaurada e a desinformação de setores da população levou o país aos níveis mais baixos de cobertura vacinal das últimas décadas.
Em primeira análise, tido como modelo mundial de política pública eficaz, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) surgiu em 1973, como parte de um conjunto de medidas governamentais que buscavam imunizar toda a população brasileira. Com efeito, o sucesso do programa pode ser atribuído às amplas campanhas de divulgação promovidas pelo Ministério da Saúde e à ampliação do Sistema Único de Saúde. Contudo, o momento de maior queda na taxa de imunização coincidiu com a crise econômica que o Brasil enfrentou nos últimos anos, a se observar pela redução nas despesas com publicidade, que de acordo com o Ministério do Saúde houve uma queda de 40% em 2015. Além disso, a crise econômica também afetou o caixa das prefeituras que, por sua vez não dispunham de renda suficiente para investir na compra dos insumos preventivos.
Outrossim, tal como se observou na insurreição popular ocorrida no século XX, a “Revolta da Vacina”, que ocorreu como uma reação popular à campanha da vacinação obrigatória, a história se repete em cenários diferentes. Sendo assim, a desinformação, ou até mesmo o excesso de informações não confiáveis promovido pelo impacto de notícias falsas, fez com que várias famílias optassem por se abster das campanhas de imunização. Sob esse viés, o sociólogo Émile Durkheim afirma que: a sociedade é como um corpo biológico, onde as partes devem interagir para garantir a coesão e a igualdade. Por conseguinte, a inadimplência da população reforça essa problemática, uma vez que essa não preconizou seu principal meio para prevenção.
Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de enfrentar o atual cenário. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde deve promover a melhoria do sistema público de saúde, por meio de investimentos direcionados às unidades básicas e às campanhas de vacinação, com o objetivo de ampliar a cobertura nacional de imunização e garantir que todas as comunidades sejam contempladas. Além disso, as prefeituras devem criar um projeto voltado para a aproximação entre as famílias e as instituições de saúde, mediante a visitação de agentes de saúde nas moradias a fim de elucidar as massas e conscientizar a comunidade acerca dos benefícios da vacinação.