Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 06/06/2019
Intolerância Prática
Lima Barreto, em sua obra ‘‘O Triste Fim de Policarpo Quaresma’’, descreve uma distopia na qual retrata, em 1915, a Revolta da Vacina, no Rio de Janeiro, devido a segregação das transformações
sócio-políticas. Entretanto, por ser um relato literário, o livro parece refletir, em parte, a realidade atual, uma vez que a população não compreende os benefícios da imunização e torna-se subjugada ao aparato estatal. Desse modo, normas educacionais e inclusivas devem ser debatidas e compreendidas.
Nessa circunstância, a educação de senso crítico é o fator principal no desenvolvimento de um país. Hoje, ocupando uma boa posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e esse contraste é refletido na população. Sob esse âmbito, segundo o site UOL, justifica-se a realidade das taxas de vacinação aumentarem no mundo e diminuírem no Brasil, já que aspectos instrutivos e educacionais tornam-se necessários para reverter esse panorama. Dessa forma, uma analogia com a educação libertadora proposta por Paulo Freire torna-se possível, uma vez que defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, em seguida, libertar o indivíduo da situação a qual encontra-se sujeitado, o senso comum.
Outrossim, ainda que a Constituição Cidadã assegure o direito à vida, saúde e liberdade, faz-se primordial a fiscalização por parte das camadas sociais para um cumprimento efetivo de sua real função. Nessa perspectiva, consoante a visão do médico Drauzio Varella, não é dever do Estado proteger o cidadão do mal causado a si mesmo, e sim defendê-lo do que possam fazer contra ele, visto que negar o dever da responsabilidade é, de fato, direcionar o gerenciamento à negligência. Desse modo, em uma realidade social de generalização nacional, urge a necessidade de alterações estruturais para que o aparato estatal não seja um propulsor das desigualdades.
Convém, portanto, a existência de desafios para garantir a vacinação dos brasileiros. Dessa forma, é preciso da atuação mútua entre Estado, educação e população. A esfera maior, por meio da sua autonomia, deverá ampliar a disseminação de informações através das mídias, de modo que haja fácil entendimento e acesso. É imprescindível, também, que a escola desenvolva atividades laborais, por meio da inclusão social ao objetivar uma nação com autoconhecimento para desenvolver o senso crítico. E a sociedade, por fim, necessita tomar conhecimento dessa problemática, por intermédio de pesquisas autônomas para tornar-se o órgão regulador do meio. Dessa maneira, a distopia narrada por Lima Barreto será revertida pela formação moral e o desenvolvimento do senso crítico, uma vez que o acesso à informação modifica o agir do homem.