Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 17/06/2019

No início do século XX, eclodiu, no Rio de Janeiro, a Revolta da Vacina, quando a população, por medo e falta de informação, se rebelou contra a campanha de imunização à varíola. Hoje, com tantos avanços na medicina, as vacinas já são aceitas e utilizadas pela maioria para se proteger contra diversas doenças. Entretanto, nos últimos anos, tem-se presenciado uma difusão de ideias errôneas sobre elas que, acentuada pela negligência do poder público, tem provocado sérios entraves para garantir a vacinação no Brasil, afetando a saúde da população como um todo.

Primeiramente, é necessário analisar as raízes do movimento anti-vacinas e a facilidade com que se alastrou pela sociedade. Um estudo realizado na Califórnia, sem critérios científicos válidos, indicou que certo número de indivíduos que tomaram vacina contra sarampo foram diagnosticados com autismo, sugerindo, equivocadamente, uma relação de causa e efeito entre eles. Tal ideia ganhou força graças a uma insegurança já existente por parte de uns em relação à eficácia do método e seus efeitos colaterais, o que foi agravado pela falta de informação sobre as propriedades da vacina. Além disso, teorias conspiratórias questionando os ganhos excessivos do governo e da indústria farmacêutica fomentaram o movimento.

Ademais, o ato de rejeitar a imunização pode prejudicar não só quem opta por isso, mas também o meio em que vive. Há uma parcela da população, como crianças que ainda não receberam a vacina e um ínfimo grupo em que a imunização não é eficiente, que depende de que a maioria dos indivíduos com quem convive esteja vacinada para que não contraia a doença. Além disso, vacinar-se mostra-se como um ato humanitário e altruísta, uma vez que pode impedir a volta de doenças erradicadas, como o sarampo que já é uma realidade no Brasil.

Portanto medidas são necessárias para enfrentar esses desafios. O ministério da Saúde e da Educação devem se comprometer em projetos que levem informação às pessoas sobre a eficiência das vacinas e apresentem pesquisas científicas confiáveis sobre seus possíveis efeitos colaterais. Isso deve ser feito por meio de grande participação da mídia divulgando tais campanhas, além de palestras e debates nas escolas que incluam os pais. Dessa forma, diferentes setores e gerações estarão conscientes dos inúmeros benefícios e excelente custo social e financeiro que uma das maiores invenções da medicina é capaz de proporcionar a qualquer nação.