Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 06/07/2019

A revolta da vacina, movimento popular da República Velha, representou a falta de diálogo dos governantes com a população na prestação de esclarecimentos e informações na questão da saúde pública do Brasil. No contexto atual, essa temática é retomada visto que a vacinação ainda não abrange, lamentavelmente, a sociedade como um todo. Dessa forma, cabe analisarmos os aspectos sociais e políticos que impedem essa abrangência.

Em primeiro plano, é possível traçar uma analogia acerca do aspecto social, consoante a Alegoria da Caverna, de Platão, onde o conforto proporcionado pelas vacinas e avanços na medicina proporcionou ao senso comum um descuido. Isto é, a população de “dentro da caverna” deixou de se preocupar com doenças que eram vistas com mais periculosidade no passado, como o sarampo. Assim, é necessária a “saída da caverna” com a urgência de medidas que atuem no meio social e lidem com a impassibilidade, de modo a evitar o retorno de doenças erradicadas.

Associada a esse fator, exemplifica-se a questão política com o descaso governamental sobre a saúde pública. Ao correlacionar com o mito platônico, a postura estatal nem sempre é operante, visto que segundo a OMS, o Brasil passou pelo terceiro surto de febre amarela, reflexo da baixa adesão da vacinação em território nacional. Esse lamentável quadro revela que falta maior atuação do Poder Público no setor da saúde, seja no estímulo de campanhas de vacinação ou até mesmo no papel da educação sobre a importância do cuidado da saúde.

Logo, é fundamental reforçar um trabalho educativo na sociedade brasileira e resgatar o diálogo – fragilizado na República Velha - para garantir a vacinação efetiva no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde deve fazer uso das mídias sociais para vincular propagandas informativas e educativas, buscando aderir um público de diversas idades sobre a importância de se vacinar. Assim será possível sair da caverna de Platão e colaborar com a saúde pública.