Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 05/07/2019
A Revolta da Vacina foi um movimento carioca no qual dos moradores do centro, em geral de classe baixa, foram abordados em suas residências para a aplicação de uma injeção que continha substâncias para a prevenção de enfermidades. Contudo, como não foi apresentada ao povo justificativas em relação à intenção da medida, eles se rebelaram e recusaram a imunização. Similar a esse período, na contemporaneidade, muito tem se questionado quanto aos efeitos e real necessidade das vacinas. No cenário brasileiro, apesar da existência do Programa Nacional de Imunização, o desconhecimento da população e o fenômeno da pós-verdade são barreiras para a proteção de todos.
Em primeira análise, é preciso considerar que o povo não entende o mecanismo de atuação das vacinas e sua importância. De acordo com o filósofo iluminista Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Nesse viés, a ausência ou ineficiência da abordagem escolar quanto ao processo de imunização, não só na perspectiva biológica como também histórica, impede a assimilação da relevância dessa evolução medicinal para a humanidade na garantia de saúde.
Além disso, o fenômeno contemporâneo da pós-verdade contribui para a manutenção da desinformação e, por consequência, da recusa as vacinas. Esse fenômeno, típico da atual era informacional, refere-se à negação de fatos comprovados cientificamente em prol da afirmação de uma crença pessoal. Desse modo, mesmo com o total consenso medicinal sobre a segurança da imunização, muitos indivíduos ainda recusam a aplicação baseados em ideias falsas propagaras pela rede, desprovidas de justificativas reais.
Portanto, mudanças são necessárias com o objetivo de que o contexto da Revolta da Vacina não perdure no Brasil atual. Para isso, o Ministério da Saúde deve difundir informações quanto a importância biológica e histórica da imunização para a humanidade, tendo em vista que o desconhecimento gera a rejeição da população, por meio de palestras com profissionais da saúde em escolas e campanhas midiáticas, como menções em novelas, documentários e cartazes publicitários, a fim de tornar a pela vacinação uma realidade no país. Somente assim, o programa Nacional de Imunização será eficaz.