Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 01/08/2019
A implementação da vacina no Brasil num projeto concebido por Oswaldo Cruz foi seguida pela conhecida como Revolta da Vacina, um movimento popular caótico em protesto à vacinação obrigatória, que foi feita apesar do desconhecimento geral da população sobre a mesma. Analisando-se esse caso juntamente com o atual cenário, no qual garantir a vacinação de todos os brasileiros é um desafio, percebe-se que a falta de conhecimento sobre o assunto e a ineficiência governamental ainda são os principais obstáculos para tal processo.
De acordo com o artigo 196 da Constituição de 1988: “A saúde é direito de todos e dever do estado”, no entanto, sistema de vacinação brasileiro é falho em diversos aspectos. Um dos seus maiores defeitos é a dependência de uma carteira de vacinação física, que pode ser facilmente perdida e dificulta que o processo de imunização seja feito adequadamente com todos os indivíduos. Ademais, apesar da existência de postos de saúde nas cidades, aqueles que vivem em áreas remotas, como a População Ribeirinha, ainda sofrem com o escasso atendimento público, o que inclui a aplicação de vacinas.
Além disso, outro fator que dificulta a vacinação dos indivíduos é a recusa dos mesmos à vacina, tal resistência advém da falta de informação. Os mitos que condenam a imunização ativa artificial são muitos, estes decorrem do fato de grande parte dos brasileiros não terem um conhecimento claro de como o seu mecanismo funciona. O movimento antivacina, que tem origem em países desenvolvidos mas já atinge o Brasil, é outra consequência da desinformação, adeptos a esse movimento incentivam outros a não se vacinarem sob alegações errôneas de que tal ato é prejudicial à saúde.
Visto que o papel do Estado no que diz respeito à vacinação de brasileiros é insuficiente, são necessárias medidas públicas para sanar o problema em questão. É necessário que o Governo Federal crie uma carteira de vacinação digitalizada, assim como um banco nacional de dados, e que o Estado aumente a quantidade e abrangência das Unidades Móveis de Imunização em áreas remotas. É preciso, ainda, que o Ministério da Saúde promova campanhas de vacinação com maior periodicidade e mais informativas do que as existentes atualmente. Por conseguinte, o acesso à vacinação, assim como o processo que a envolve, seriam facilitados e haveria a educação dos indivíduos quanto a este aspecto, combatendo, dessa forma, informações falsas sobre o assunto.