Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 06/08/2019
As vacinas são substâncias preparadas a partir de microorganismos mortos, enfraquecidos ou seus derivados, com a intenção de estimular o organismo a produzir anticorpos específicos, sendo hoje um dos meios mais seguros e eficazes de prevenção contra doenças infectocontagiosas. Entretanto, o Ministério da Saúde tem registrado uma queda da cobertura vacinal de algumas doenças e em algumas regiões do país, essas populações tornam-se suscetíveis às doenças e configuram mais um problema de saúde pública. Tal problemática está relacionada à desinformação e à sensação de dispensabilidade da vacinação, caracterizando um desafio garantir a vacinação dos brasileiros.
Assim como na Revolta da Vacina, em 1904, a componente desinformação também figura atualmente como fator decisivo da não vacinação dos indivíduos, impregnados com pensamentos conspiratórios de extinção em massa, criação de doenças em laboratório, bem como a ideia de malefício a saúde oriundos de efeitos adversos das vacinas em casos isolados. Embora sejamos a geração da informação, isso não garante que sejamos bem informados, como nas palavras de Augusto Cury, “nada é tão perigoso para aprisionar a inteligência do que aceitar passivamente as informações”. Nesse sentido, tem-se uma preocupante potencialização do movimento antivacina e, consequentemente, uma população vulnerável e mais suscetível ao erro.
Outrossim, de acordo com a historiadora e professora, Emília Viotti, um povo que não observa e analisa sua história corre o risco de cometer os mesmos erros do passado. Infelizmente, essa realidade se expressa claramente no fato de sermos na atualidade um país no qual reemergiram doenças antes superadas, uma das causas apontadas para tal é a sensação de dispensabilidade da vacinação, enraizada na falta de experiência, observação e análise de situações alarmantes ocorridas ao longo da história. Dessa maneira, tal inobservância, sensação de distanciamento das epidemias documentadas e, até mesmo negligência, contribui com uma maior disseminação do ideário antivacina e consequente propagação de patologias, bem como corrobora com a precária situação da saúde pública.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Em vista de todos os fatos apresentados, o caminho para sanar esse problema está no investimento maciço por parte do Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação em campanhas de conscientização e, principalmente, esclarecimento de dúvidas acerca da temática nas escolas, unidades básicas de saúde e espaços públicos, bem como utilização das mídias para divulgação de notas de utilidade pública no intuito de retomar o crescimento da cobertura vacinal dos brasileiros. Somente assim, o Brasil vencerá mais esse desafio.