Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 08/08/2019
No documentário “A vacina que mudou o mundo”, é retratada uma epidemia de poliomielite, ocorrida no ano de 1953, na qual o médico Jonas Salk com apoio do governo, desenvolve a vacina contra o vírus causador da doença, sendo possível imunizar a população. Hodiernamente, a vacina é um mecanismo importante para o controle e prevenção de doenças, contudo, o descaso do Estado com a saúde coletiva e a negligência social, têm contribuído para a queda na taxa de vacinação no país, fazendo com que doenças antigas uma vez erradicadas, reapareçam novamente, comprometendo a saúde pública. Nesse contexto, visando o enfrentamento do problema, faz-se necessário um debate entre Estado e sociedade acerca dos desafios para garantir a imunização dos brasileiros.
Em primeira análise, vale destacar que o descaso do Governo brasileiro é um desafio para a mitigação da problemática. Nesse viéis, apesar da Constituição Cidadã de 1988 garantir saúde de qualidade como direito de todos e dever do Estado, o Poder Executivo não efetiva esse direito, sendo a má gestão dos recursos públicos e a corrupção fatores que comprometem a qualidade dos serviços prestados, dificultando o acesso da população à vacinação, uma vez que a oferta do abastecimento regular dos estoques de imunobiológicos como também de campanhas para a disseminação de informações não são feitas de maneira efetiva, como resultado, a taxa de vacinação está abaixo do ideal que seria 95%, de acordo com o Planejamento Nacional de Imunização, evidenciando que esses direitos só permaneceram no papel.
Além disso, é importante mencionar que a indolência da sociedade atrelada a falta de informações são pontos contribuintes para a incidência dessa problemática. Consoante ao filósofo Sêneca, é parte da cura o desejo de ser curado, nesse contexto, é possível observar que diversos cidadãos, na atual conjuntura, acabam por adotar uma conduta de oposição à imunização, ao passo que alegam, sem base científica comprovada, que tal substância é prejudicial à saúde humana, muitos pais, ao recusarem a profilaxia em suas crianças, acabam permitindo que doenças erradicadas, como o sarampo, voltem a figurar em território nacional, cujas causas podem ser explicitadas pelas imprecisões das informações oferecidas à comunidade acerca da relevância dos processos de vacinações.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para que o impasse seja resolvido. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde em parceria com as esferas municipais, deve elaborar ações que promovam a difusão de informações a respeito da importância da vacinação, bem como a melhoria do sistema público por meio de investimentos direcionados às unidades básicas e campanhas de vacinação, com o intuito de ampliar a cobertura nacional de imunização, e assim, reverter esse cenário.