Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 04/08/2019

Policarpo Quaresma, protagonista da obra-prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremado que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil, e morreu frustrado ao ver que elas não aconteceram. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vista que entraves como a redução da cobertura de vacinas ainda se faz presente no corpo social brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar de que forma o pudor da população quanto ao desconhecimento das vacinas afeta o bem estar social, bem como esclarecer os impactos dos movimentos antivacinas em busca de soluções eficientes para esse entrave.

Em abordagem inicial, nota-se que há um desconhecimento da população a respeito das vacinas, quanto às composições químicas, benefícios, e exposições de partes do corpo para desconhecidos que aplicam os imunizantes. Nessa perspectiva, tal problemática entra em conflito com a utopia de Brasil idealizada por Barreto, na medida em que, tais motivos causam desconforto no cidadão, o impedindo de realizar a imunização. Em particular, em 1904, uma epidemia de varíola ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, ocasionando a morte de milhares de pessoas. Nesse contexto, o sanitarista Oswaldo Cruz propôs a vacinação obrigatória, tal ação desencadeou uma revolta popular, pois a imposição foi interpretada como uma ruptura com a integridade do cidadão. Assim, é evidente o descontentamento do povo quanto à falta de transparência dos órgãos públicos com o problema em questão.

Ainda convém lembrar que, os movimentos antivacinas é uma ideia que cresce mundialmente, e tem ganhado adeptos no Brasil. A situação revela preocupação acerca de doenças como o sarampo, já erradicada no país, devido ao confrontamento do movimento com o dever dos pais de vacinarem seus filhos. Nesse contexto, consolida-se a percepção do filósofo Rousseau em sua obra “O contrato social”, conforme o pensador, para um bom funcionamento dos organismos sociais, é preciso que haja uma relação de confiança entre o Estado e a sociedade, configurando o princípio de cooperação. Em suma, torna-se notório que há uma ruptura do contrato social pois ocorre um alarmismo na população, que duvida do papel do Estado quanto à saúde do corpo social.

Esse alarmante cenário em que se encontra o Brasil revela a necessidade de mudanças. Portanto, o Ministério da Saúde deve esclarecer as duvidas existentes sobre os imunizantes, por meio de declarações informacionais em relação a importância e os benefícios das vacinas com o apoio dos meios de comunicação, e a melhor capacitação de funcionários responsáveis pela imunização nos postos de saúde, a fim de reduzir a desinformação da população. Com essas ações, acredita-se que a garantia da vacinação será efetiva de modo a orgulhar Policarpo Quaresma.