Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 05/08/2019
Obrigação com a saúde
Entre 10 e 16 de Novembro de 1904, eclodiu no Rio de Janeiro a revolta da vacina, onde os moradores dos cortiços se rebelaram contra a vacinação obrigatória, imposta pelo então diretor de saúde pública, Oswaldo Cruz. Entretanto, essa dificuldade para garantir a vacinação dos brasileiros ainda persiste, pois ela não recebe a devida atenção , na medida em que deixou de ser um problema de um grupo restrito de indivíduos e se tornou uma questão de saúde pública, inclusive com o reaparecimento de doenças antes erradicadas. Por conta disso, é imprescindível uma maior atuação do estado e da sociedade civil na busca por medidas para lidar com esse desafio.
Em uma análise inicial, a atuação do governo é fundamental para confirmar a imunização dos brasileiros. Nesse viés, deve ser prioridade o cumprimento dos seus deveres no que tange a vacinação e assim evitar se tornar uma instituição zumbi , termo criado por Zygmunt Bauman para nomear as instituições que não cumprem seu dever. Logo, o abastecimento com vacinas essenciais e um plano adequado de imunização para os municípios mais carentes, devem ser prioridades. Ocorre que o estado , muitas vezes , deixa de cumprir esses requisitos, criando regiões suscetíveis ao aparecimento de doenças outrora erradicas. Desse modo, campanhas isoladas e com baixa divulgação como em outras épocas não serão suficientes para garantir a vacinação no Brasil.
Em seguida, a sociedade civil, que é a maior prejudicada por essa baixa proteção contra patógenos, deve assumir seu papel no enfrentamento desse problema. A esse respeito, a fala do filósofo Goethe de que " Nada no mundo é mais assustador que a ignorância em ação " , faz todo sentido. Isso se reflete na recusa de muitos pais em vacinar os filhos, seja por falta de discernimento ou motivados pelas inúmeras “fake news” divulgadas, como a de que as vacinas causam câncer. Nesse contexto, enquanto a ignorância for a regra, a imunização adequada será a exceção.
Diante dessa perspectiva, a vacinação dos brasileiros deve ser realidade no Brasil. Nesse sentido, o Ministério da saúde deveria desconstruir a cultura da vacinação opcional, por meio de uma campanha nas mídias em geral, mostrando as reais consequências dessa baixa imunização, como o reaparecimento de doenças erradicas e mostrar casos concretos de quem sofre com essas enfermidades, além de orientar as famílias sobre o processo de produção e ação de vacinas, para evitar a baixa adesão em virtude da ignorância. Com isso, os brasileiros vão perceber os riscos a que estão expostos , e irão constatar que a vacinação é obrigatória quando se trata de uma saúde integral.