Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 31/08/2019
Após a chegada de Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro, em 1902, a cidade passou por um processo de saneamento urbano, o qual realizava vacinações na população local, mas sem informar sobre a função do procedimento. Nesse sentido, boa parte dos cidadãos recusavam o método e um grande protesto foi criado, conhecido como a Revolta da Vacina. Atualmente, esse cenário de obstáculos para garantir a imunização também está presente no Brasil e tornou-se um problema governamental, visto que – seja pela ineficiência estatal, ora pelos mitos que envolvem a vacinação – compromete o bem-estar dos brasileiros e facilita a retomada de doenças erradicadas.
A princípio, cabe analisar o papel ineficiente do governo sob a visão do filósofo inglês John Locke. Segundo o autor, a sociedade, em seu estado de natureza, possui o direito à vida, à saúde e à liberdade, que devem ser preservados pelo governo. Analogamente, o atual poder público contradiz esse pensamento ao promover poucas políticas coletivas de imunização, as quais, frequentemente, são realizadas com informações limitadas e não conseguem expandir a cobertura vacinal para regiões remotas. Por consequência, cada vez mais, o número de vacinações pelo país tende a decrescer, o que dificulta o controle de patologias e compromete a qualidade de vida da população.
Ademais, além da ineficiência estatal, os mitos que cercam a imunização também corroboram na problemática e convém ser contestados sob a perspectiva do sociólogo francês Émile Durkheim. Segundo o autor, o indivíduo só poderá agir na medida em que conhecer o contexto em que está inserido. Desse forma, o âmbito popular atual – o qual é cercado por conceitos de que as vacinas provocam autismo em crianças ou causam efeitos colaterais a longo prazo – permite que parte dos cidadãos idealizem que a imunização é prejudicial e contestem os métodos de prevenção. Logo, observa-se o fortalecimento de movimentos antivacinação e, segundo o Jornal Agência Brasil, a retomada de doenças já erradicadas do país, como sarampo e poliomielite.
Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, o governo, por meio de verbas públicas, deve fortalecer e ampliar campanhas de vacinação, de modo a difundir, com oficinas pedagógicas, informações sobre a importância desse processo e usar unidades móveis de imunização para otimizar o serviço em locais de fácil e difícil acesso. Dessa forma, será possível garantir um aumento do número de vacinações pelo país e preservar o bem-estar da população. Além disso, o Ministério da Saúde, com auxílio da mídia digital, deve descontruir os mitos da prevenção com postagens periódicas nas redes sociais, a fim de divulgar o conhecimento científico da vacina e assegurar que a rejeição dos cidadãos fique apenas nos fatos históricos do Brasil.