Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 14/08/2019
Ao longo da Primeira República o Brasil presenciou a Revolta da Vacina, rebelião popular contra a lei que tornava obrigatória a imunização contra a varíola. Isso porque, na época, a sociedade acreditava que o próprio método seria capaz desenvolver a doença. Atualmente, o combate à epidemias enfrenta novos obstáculos que se legitimam não só pela falta de informação das pessoas, como também pelas falhas governamentais, tendo em vista que, a diminuição da abrangência é um dos maiores problemas. Diante dessa perspectiva, cabe analisar os fatores que favorecem essa conjuntura.
Sob esse viés, é necessário considerar que, apesar de a saúde ser um direito garantido pela Constituição Federal de 1988, não é devidamente efetivado. Isso pois, a má gestão de recursos públicos motivada, na maioria das vezes, pela corrupção e o desvio de verbas, propicia a precariedade dos serviços prestados. Nesse sentido, a falta de estrutura nos postos de saúde, no que diz respeito ao abastecimento de materiais necessários, resulta na escassez de vacina que abranja toda a população, o que compromete a eficácia da imunização em escala nacional. Prova disso, segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2016, no Brasil, a meta de imunizar 95% da população contra a poliomelite só alcançou 85%. Dessa forma, se não há prevenção suficiente, percebe-se a intensificação de epidemias.
Ademais, essa situação deve-se também a falta de informação e a acomodação dos indivíduos. O desinteresse da esfera pública em difundir conhecimentos acerca da importância da vacinação, faz com que as classes mais vulneráveis da sociedade tomem decisões precipitadas. Com isso, observa-se a tendência em agir de forma contrária à ética deontológica considerada pelo filósofo Immanuel Kant, em que a escolha, mesmo que autônoma, precisa ser guiada pelo dever. Pois, ao se recusar a imunização, os indivíduos deixam de pensar nas consequências de tal ato. Logo, se a população não preocupa em se imunizar e em reivindicar por maiores abrangências de vacinas, percebe-se o favorecimento do surto de doenças como hepatite e febre amarela. Nesse aspecto, nota-se a urgência em medidas que conscientizem a sociedade e reduzam as falhas no sistema público de saúde.
De modo exposto, torna-se evidente que as dificuldades na garantia da vacinação são favorecidas por diversos aspectos. Sendo assim, é importante que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério Público da União, promova a ampliação de recursos destinados a vacinação, mediante o aumento de verbas e a fiscalização, a fim de aumentar o alcance imunitário e reduzir os desvios financeiros. Ademais, é crucial que o Ministério da Educação difunda conhecimentos acerca da importância de se prevenir contra epidemias, por meio de discussões nas escolas e universidades e de campanhas televisivas, com o objetivo de desconstruir os falsos conceitos e tirar as pessoas da zona de conforto.