Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 04/09/2019
Destoante da realidade ideal, no Brasil, boa parte da população se recusa a submeter-se aos programas de vacinação. Nesse sentido, parte significativa do problema tem relação íntima e direta com um certo preconceito gerado, fundamentalmente, por uma certa nuance de ignorância no que se refere aos efeitos colaterais da vacina – que, em alguns casos, perpassam até por teorias conspiratórias. Além disso, o próprio Poder Público falha miseravelmente na sua responsabilidade precípua em administrar e garantir a saúde dos indivíduos, na medida em que negligência seu papel de divulgar e incentivar a vacinação.
Nessa perspectiva, o medo de parte da sociedade sobre os potenciais riscos da imunização é um fator que agrava a situação e diz respeito, inclusive, a um processo histórico vivenciado pela própria nação. Por essa análise, a Revolta da Vacina de 1904, incentivada por um viés positivista, representa um marco, já que simboliza o conflito, ainda atual, dos interesses do Estado frente aos da sociedade e, justamente em função disso, criou-se no imaginário coletivo a ideia infundada de que a vacina é um método de controle populacional do governo e outras teorias mais, retardando o processo de vacinação, tão necessário para a saúde dos indivíduos. Desse modo, contemporaneamente, há ainda quem duvide da eficácia e relevância desses métodos de imunização, em função dessa lógica histórica, prejudicando todo o contexto e rebaixando o nível da saúde pública brasileira.
Outrossim, a falta de campanhas públicas de alerta e incentivo para os períodos de vacinação provocam, por vezes, crises de doenças que poderiam e deveriam ser erradicadas. Nesse viés, no começo de 2019, segundo informações do próprio Ministério da Saúde, o país passou a apresentar diversos casos de poliomielite, que havia sido erradicada nos últimos anos, principalmente nos estados do norte, em razão, justamente, da escassez de vacinação na população infantil, por simples descuido, despreocupação ou ignorância dos responsáveis, tendo em vista que, pela pouca visibilidade que esse doença teve, não esclarecendo sua real gravidade para os que sofrem com ela, em uma clara falha do governo em zelar pelos, até então, bons índices no campo da saúde. Sendo assim, evidencia-se que o fulcro da questão resume-se na incapacidade do Estado em orientar de forma eficiente a população.
Destarte, garantir a vacinação da população brasileira é de fundamental importância para a sociedade. Por isso, cabe ao Estado, na figura do Ministério da Educação, investir em campanhas de divulgação dos períodos de vacinação e da sua necessidade, por meio do uso de redes sociais como Facebook ou Instagram como canais para esse fim. Tudo isso com a intenção de devolver à população o direito fundamental à saúde, trazendo muito mais qualidade de vida a todos.