Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 04/09/2019
A revolta da vacina, em 1902, ocorreu na cidade do Rio de Janeiro durante seu processo de urbanização. A população, sem a devida informação de modo e finalidade, era obrigada a imunizar-se contra a varíola. Análogamente, hoje observa-se o movimento antivacina, decorrente da falta de informação da população a respeito do processo de imunização e a ineficiência governamental em campanhas e registros documentais.
Primeiramente, é notável que a hesitação em tomar vacina provém do desconhecimento sobre o funcionamento da mesma no corpo. Muitos afirmam sentirem mal-estar após a injeção porém, quadro febril e sonolência são normais pelo fato que o corpo está em em processo de imunização, como afirma o médico Drauzio Varella. Segundo o Ministério da Saúde, a queda na taxa de vacinação é visível desde 2011. Isso acontece porque essa incerteza é potencializada pelo discurso falacioso da antivacina, difundida pela internet, que é de cunho criminoso, visto que procura desconstruir os benefícios que a ciência alcançou por meio dessas vacinas, como a redução da mortalidade infantil e consequente aumento da longevidade. Dessa forma, vemos o quanto a falta de conhecimento pode prejudicar a população.
Em segundo lugar, o controle do Estado ainda é falho pelo modo ineficiente de registro e falta de campanhas informativas. Devido a certidão de vacinação ainda ser na forma escrita em papéis os indivíduos ficam sujeitos a perca do documento e consequente falta de acompanhamento necessário para imunização efetiva. Além disso, as campanhas transmitidas, muitas vezes, tem o teor autoritário uma vez que informam apenas quando deve ocorrer o comparecimento, ou seja, são ações esparsas. Logo, indisponibiliza o conhecimento sobre o objetivo final da campanha, bem como os efeitos da não realização da imunização. Desse modo, a resistência em se vacinar é agravada e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é uma das dez maiores ameaças globais à saúde em 2019. Ademais, ao agir de forma relutante, o cidadão desiste do seu direito à saúde e irresponsabiliza o Estado do seu dever, contradizendo totalmente o artigo 196 da Constituição Federal.
Fica claro, portanto, que o sistema de vacinação precisa da colaboração dos cidadãos e, principalmente, do Estado. Para isso, esse, por meio de comerciais televisivos, deve se pronunciar contra o discurso antivacina e promover mais informação a respeito do funcionamento da imunização, a fim de encorajar a população a tomar vacina. Por sua vez, aquele deve exigir seus direitos mediante o comparecimento a essas campanhas sociais, com a finalidade de manter seu bem-estar.