Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 15/10/2019
Durante a implantação da Primeira República, no Brasil, Oswaldo Cruz foi convocado para administrar o controle de vacinação na população do Rio de Janeiro, em prol do combate à varíola, peste bubônica e febre amarela. Entretanto, naquele contexto, houveram revoltas devido à falta de informações dada à população acerca dessas vacinas. Paralelo à isso, atualmente, no Brasil, retornou-se a essa era de desafios frente ao processo de vacinação. Nesse sentido, convém analisar as causas, consequências e possíveis soluções para esse problema.
A priori, o movimento anti-vacinação, começado na Europa e que ganha força no Brasil é um dos principais problemas que afeta o processo de prevenção às doenças. De acordo com Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”; afinal, a própria sociedade corrobora para a “não vacinação”, de maneira a afetar a saúde de crianças e adolescentes, pois se tornam mais suscetíveis à doenças, como a febre amarela, sarampo, gripe, tuberculose, entre outras. Tal situação dialoga com o contexto das Revoltas das vacinas, visto que a repercussão desses movimentos populacionais anti-vacinas representa a falta de informação acerca do processo preventivo de vacinação.
A posteriori, a Constituição de 1988 institui como dever do Estado a garantia da vacinação de todos os brasileiros, entretanto, essa proeza é, ainda, uma realidade distante e, também, benefício de classe. Nesse contexto, cabe destacar o pensamento do filósofo John Locke. Para esse estudioso, o contrato funda o poder político, que visa garantir os direitos individuais. Contudo, o próprio Estado quebra esse acordo sociopolítico, pois não garante a vacinação para toda a população, sem distinção de classe. Isso se justifica na falta de postos de saúde e de vacinação em bairros periféricos e precários, como também, em pequenos interiores rurais distantes das urbes. Além disso, a falta de vacinas, medicamentos e profissionais nesses locais representa, também, falha do Estado.
Logo, é sabido que os principais desafios para garantir a vacinação dos brasileiros são os movimentos contra tal método preventivo e a hostilidade do governo nacional. Para isso, é preciso portanto, a ação interventiva do Ministério da Mídia e Propaganda no que tange a disseminação de informações sobre a vacinação, por meio de anúncios em rádios, televisões e cinemas, com a finalidade de despertar a população para a importância de prevenir doenças com esse método. Outrossim, é de grande magnitude que o próprio governo prossiga de acordo com o instituído pela Constituição, de modo a promover construções de postos de saúde e de vacinação em todos os bairros das cidades e nos interiores rurais próximos, como também, disponibilizar transportes gratuitos para essa população ruralizada até as cidades.