Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 13/09/2019
Desde o início do século XX, com a Revolta da Vacina, a população carioca resistiu em submeter-se a um benéfico processo de imunização generalizada. Hodiernamente, além de carências educacionais históricas, campanhas pautadas na desinformação em larga escala geram um grave contexto de retrocesso, construindo noções equivocadas sobre a eficácia da vacinação e ameaçando a saúde pública nacional. Sob esses aspectos, considerando a gravidade do assunto, urge do Estado e da sociedade civil enfrentar o problema.
Em primeira análise, é indubitável que diante das fartas campanhas desinformativas, sobretudo disseminadas no ambiente digital e propagadas pelo senso comum, a população encontra-se com dúvidas sobre a eficácia do processo de imunização. Nesse sentido, como exemplo e reflexo imediato dessas notícias falsas, dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que, em razão da baixa procura, metade dos municípios brasileiros não conseguiu cumprir as metas de vacinação contra o sarampo em 2019. Portanto, é urgente que o Estado se mobilize, impeça e combata a disseminação de informações inverídicas sobre a vacinação, desconstruindo mitos que subvertem o real objetivo da iniciativa e que coloca em risco a saúde do brasileiro.
Ademais, segundo o filósofo Émile Durkheim, o homem só pode agir na medida em que compreende o contexto em que está inserido. Assim, apropriando-se da lição do ilustre filósofo francês, infere-se que uma população adequadamente educada, que entende a lógica envolta no processo de imunização, certamente enxergará a vacinação como medida absolutamente pertinente e indispensável. Portanto, considerando o protagonismo estatal no processo de instrução da sociedade, é necessário que campanhas sejam realizadas e medidas sejam tomadas para informar a população sobre as reais implicações dessa iniciativa, estimulando-se a busca pelo tratamento adequado.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de uma nova abordagem ao assunto. Assim, caberia ao Estado, numa ação coordenada pelos Ministérios da Saúde e Educação, viabilizar a realização de palestras e debates, com ampla participação popular, inclusive no meio escolar; bem como realizar propagandas na televisão, rádio e, sobretudo, nos meios digitais, objetivando-se, em ambas as medidas, informar as pessoas e desconstruir os mitos que cercam esse importante ato de cuidado consigo próprio e com a coletividade. Ademais, com ampla atuação estatal e envolvimento de toda a sociedade civil, a vacinação voltará a ter o prestígio necessário dentro da sociedade brasileira e contextos de resistência, como a revolta retratada no inicio do século XX, ficarão apenas nos livros de história.