Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 19/09/2019

" O importante não é viver, mas viver bem". Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. Entretanto, essa não é uma realidade para uma parte da sociedade brasileira, que devido a não vacinação, vem sofrendo com doenças consideradas já quase erradicadas. Com isso, ao invés de tentar aproximar a realidade descrita por Platão da vivenciada por esses indivíduos, os familiares e o Ministério da Saúde acabam contribuindo com a situação atual.

Em 1904 ocorreu a Revolta da Vacina , sendo um movimento social contra a vacinação obrigatória, uma vez que houve uma falha comunicativa entre o estado e a população sobre os benefícios de tal. Assim como ocorreu essa revolta  no século XX, agora no século XXI mesmo com o avanço da medicina, o país enfrenta problemas na garantia do amplo acesso à vacinação, o que se deve ao movimento antivacina que está crescendo em todo o país. Em muitos casos, as famílias escolhem não vacinar seus filhos utilizando como fonte de informação as redes sociais. A disseminação de notícias falsas que associam a vacina ao ato de manifestar patologias interferem diretamente na não vacinação o que dificulta o controle de doenças, uma vez que muitas pessoas, por não conhecerem os graves riscos que a não imunização pode causar, negligenciam essa prevenção e acabam reduzindo a segurança da população como um todo.

Ademais, apesar do Ministério da Saúde ter criado o Programa Nacional de Imunizações (PNI) há lugares onde os locais de vacinação são ausentes ou distantes e em fronteiras, o que acaba diminuindo na cobertura vacinal do país, rompendo assim com a teoria do filósofo São Tomás de Aquino de que todos os civis devem ser auxiliados pelo governo vigente. Prova disso, é a reincidência de doenças como sarampo e poliomielite nas regiões de fronteira, que poderiam ser evitadas com medidas preventivas a toda a população local. Dessa maneira, tal negligência contribui com uma maior disseminação de patologias, bem como corrobora com a precária situação da saúde pública.

É visível, portanto, que a vacinação no Brasil conta com entraves que precisam ser contidos. Logo, cabe às mídias públicas, aliadas às instituições educacionais, deliberar acerca desse problema - haja vista a forte influência que exercem na população - por meio de debates elucidativos, tanto nas redes sociais e demais veículos de comunicação, como nas escolas, com o objetivo de esclarecer a importância da vacinação, além de ratificar seus riscos. Para mais, os órgãos governamentais devem investir em recursos de imunização que abranjam todas as localidades, sobretudo as regiões mais remotas dos país. Dessa forma, a sociedade não apenas viverá, mas viverá bem.